IPCA com deflação surpreendente reforça corte da Selic, mas riscos persistem

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,32% em agosto, contrastando com o avanço de 0,07% em julho e superando a expectativa de queda de 0,29% do mercado. Como resultado, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,44% para 4,22%. Essa surpresa deflacionária, com composição favorável, indica um arrefecimento da pressão inflacionária no Brasil, abrindo espaço para o Comitê de Política Monetária (Copom) intensificar o ciclo de cortes na taxa Selic. A queda da Selic pode impulsionar o mercado de renda variável brasileiro e desvalorizar o real (USDBRL) se o diferencial de juros com o exterior diminuir, tornando a renda fixa menos atrativa. Em 2017, após a inflação ser controlada, o Copom realizou um ciclo de cortes que levou a taxa de 13,00% para 6,50%, impulsionando o Ibovespa em mais de 20%. O próximo ponto a monitorar será a ata da próxima reunião do Copom e a divulgação dos dados de inflação de setembro, que fornecerão mais clareza sobre a trajetória futura da política monetária e a durabilidade da deflação.

Análise

O que definirá o desfecho da política monetária e a reação dos mercados será a sustentabilidade da deflação, especialmente nos componentes de serviços, e as comunicações futuras do Copom, que serão divulgadas na ata da próxima reunião e em comunicados subsequentes.

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