O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) da Fundação Getulio Vargas (FGV) aprofundou sua queda em julho para 1,13%, após uma deflação de 0,30% em junho, marcando a leitura mais baixa desde julho de 2025 (-1,65%). Este desempenho, contudo, é visto como temporário pelo economista Matheus Dias. O cenário macroeconômico global e doméstico apresenta riscos inflacionários significativos, incluindo o acirramento da guerra, a imposição de novas tarifas comerciais e os impactos do El Niño. Tais fatores tendem a gerar choques de oferta e aumentar a volatilidade dos preços de commodities e insumos. Para investidores brasileiros, isso implica um potencial de alta para o dólar (USDBRL), pressão sobre a Selic e risco de underperformance para ações de consumo doméstico. Um paralelo histórico pode ser traçado com o choque de petróleo de 2022, que elevou a inflação global e pressionou bancos centrais. Os próximos dados de inflação e notícias sobre o avanço da guerra ou eventos climáticos serão cruciais para o horizonte de curto a médio prazo, com expectativas de um cenário mais desafiador nos próximos 6-12 meses.
Nos próximos 3-6 meses, espera-se que a inflação persista, com o IGP-10 revertendo sua deflação. Gatilhos incluem a escalada de conflitos (Oriente Médio, Europa Oriental), anúncios de novas tarifas comerciais e a severidade dos efeitos do El Niño nas safras. Se o Brent ($86.75 hoje) superar $90-95, e os índices de commodities agrícolas continuarem em alta, o Banco Central do Brasil pode ser forçado a manter a Selic elevada, atrasando o ciclo de cortes de juros e pressionando o consumo doméstico.
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