Fiagros e CRAs já representam 33% do crédito rural; emissões dos fundos saltam 275% em 2026

O mercado de capitais ampliou sua participação no financiamento do agronegócio brasileiro. Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) passaram a representar 33% do crédito rural total em 2025, ante 19% em 2021, segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O avanço reflete o crescimento das alternativas de financiamento privado para o setor, em meio à busca por novas fontes de recursos para produtores rurais e empresas da cadeia agroindustrial. Em dezembro de 2025, o estoque de CRAs alcançou R$ 178,4 bilhões, enquanto os Fiagros somaram R$ 43,1 bilhões em patrimônio líquido. O crescimento dos Fiagros chama a atenção. O patrimônio líquido desses fundos saltou de R$ 3 bilhões em 2021 para R$ 43,1 bilhões em 2025, consolidando o instrumento como uma das principais alternativas de acesso ao mercado de capitais para financiar o agronegócio. (Foto: IA – Dados: Anbima) Em 2026, as emissões dos instrumentos de financiamento do setor apresentaram desempenhos distintos. Até setembro, os CRAs movimentaram R$ 11,1 bilhões, queda de 62,3% na comparação anual. Já as Cédulas de Produto Rural Financeira (CPR-Fs) registraram R$ 11,8 bilhões em ofertas, alta de 202,7%, enquanto os Fiagros alcançaram R$ 10,2 bilhões, avanço de 274,7% e recorde para o período. No total, os instrumentos de financiamento do agronegócio levantaram R$ 33,1 bilhões em ofertas até setembro. O resultado reforça a relevância do mercado de capitais como fonte de recursos para o setor, que também conta com instrumentos como as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). Em dezembro de 2025, as LCAs e as CPR-Fs acumulavam, juntas, mais de R$ 1,1 trilhão em estoque. Para a Anbima, a expansão do mercado de capitais contribui para diversificar as fontes de financiamento e aproximar investidores das cadeias produtivas. “A captação de recursos através dos CRAs e Fiagros aprimorou o processo de financiamento das cooperativas e dos demais agentes do segmento, ao criar novas alternativas de funding, muitas vezes com menores custos e mais adequado ao perfil do tomador”, afirma Erika Lacreta, gerente de Mercado de Capitais da entidade. A associação também destaca que a Resolução CVM nº 214/2025 ampliou as possibilidades de investimento dos Fiagros, permitindo a alocação em diferentes classes de ativos, como fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), fundos de investimento em participações (FIPs) e fundos de investimento imobiliário (FIIs). Como parte dos esforços para desenvolver esse mercado, a Anbima lançou um guia técnico com informações mínimas para a análise de produtores rurais que originam créditos. A iniciativa busca padronizar os dados solicitados nas operações e dar mais clareza e agilidade à estruturação de financiamentos via mercado de capitais.

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