Quem defende ajuste fiscal com corte de políticas sociais não entendeu nada dessa eleição, diz Boulos

O ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no último domingo (25), não fará um ajuste fiscal baseado em cortes de políticas sociais. Segundo ele, a agenda econômica do Brasil nos próximos quatro anos "será a que venceu as eleições", e não a de promover um "tesouraço". "Quem está defendendo que Lula faça ajuste fiscal, cortando gastos em políticas sociais, não entendeu nada do que foi essa eleição. O Tesouraço foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular. O candidato da Faria Lima perdeu e fugiu para os EUA", escreveu Boulos nesta quinta-feira (29) em publicação na rede social X. "A agenda econômica do Brasil será a que venceu as eleições, não a que perdeu", complementou o chefe da Secretaria-Geral. Ao longo do segundo turno, a campanha de Lula explorou o temor de que as políticas sociais podem ser descontinuadas em uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário derrotado. A estratégia chamou de “tesouraço” a possibilidade de cortes em programas sociais. Enquanto isso, o chefe do Executivo investiu em um "pacote de bondade" para vencer o pleito. Os anúncios totalizam cerca de R$ 242 bilhões entre despesas e renúncia de receitas com efeitos até 2030, segundo levantamento feito pelo diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), Alexandre Seijas de Andrade. A política econômica do novo governo Lula, porém, ainda está sendo definida, mas, até o momento, há um diagnóstico de que precisará fazer um ajuste fiscal. Ao Valor, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que esse ajuste nas contas públicas seguirá num processo paulatino. "Nosso cenário é de ajuste gradual, preservando as políticas públicas, preservando a valorização real do salário mínimo, preservando os pisos de saúde e educação", disse. O plano, informou, é cumprir as metas que estão no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027: superávit de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, de 1% do PIB em 2028, de 1,25% em 2029 e de 1,5% em 2030.

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