Dólar sobe a R$ 5,11 com Ormuz e política doméstica

O dólar à vista registrou uma valorização de 0,53% nesta segunda-feira (10), fechando as negociações a R$ 5,1107, interrompendo uma sequência de três baixas consecutivas. O principal catalisador para essa alta foi a persistência do impasse nas negociações para a abertura do Estreito de Ormuz, elevando o prêmio de risco geopolítico e a volatilidade nos mercados globais. Adicionalmente, o cenário político doméstico brasileiro contribuiu para a busca por ativos de menor risco, drenando capital da bolsa brasileira e pressionando o real. Essa movimentação cambial tem implicações diretas para a inflação de bens importados e, consequentemente, para a política monetária do Banco Central, que pode ser levado a revisar o ritmo de flexibilização da Selic. Historicamente, impasses geopolíticos em rotas comerciais críticas, como o fechamento do Canal de Suez em 1956, resultaram em forte alta do dólar e das commodities, com o petróleo Brent subindo mais de 20% no curto prazo. Os próximos gatilhos a serem monitorados são a divulgação do IPCA e a ata do Copom, que fornecerão mais clareza sobre as perspectivas inflacionárias e a postura do Banco Central. No médio prazo, o cenário depende da resolução do impasse em Ormuz e da estabilização do ambiente político interno, com o dólar podendo testar R$ 5,20 em um cenário de escalada ou retornar a R$ 5,00 com a desescalada e melhora do fluxo.

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