A possível saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, após ele ter perdido as eleições presidenciais, foi aventada pelo seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que mora no país desde 2025, em busca de apoio pela anistia dos envolvidos no ataque de 08 de janeiro de 2023. Em 23 de outubro, antes do segundo turno das eleições brasileiras, Eduardo disse em uma transmissão nas redes sociais que Flávio deveria deixar o país, caso perdesse a disputa presidencial. A fala levou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedir na segunda-feira (26) que o senador entregasse seus passaportes comuns e diplomáticos, o que não foi feito. Na terça-feira (27), Flávio teria viajado aos Estados Unidos, segundo fontes informaram a Reuters. Quando Eduardo Bolsonaro se mudou para os EUA? Depois que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), perdeu a sua tentativa de reeleição em 2022, Eduardo Bolsonaro reforçou o seu relacionamento com líderes conservadores internacionais, em especial com Donald Trump, que votou à presidência dos EUA em janeiro de 2025. Em fevereiro de 2025, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Jair Bolsonaro e outros aliados pela tentativa de golpe de Estado, após as eleições de 2022. Eduardo não estava na lista de denunciados, mas, em março desse mesmo ano, ele divulgou nas redes sociais um vídeo anunciando que permaneceria nos EUA em busca de apoio internacional ao pai e aos condenados pelos ataques de 08 de janeiro. Em 20 de março de 2025, Eduardo formalizou o seu pedido de licença de 120 dias da Câmara dos Deputados. Nesse período, ele já falava na mídia sobre temer ser preso caso voltasse ao Brasil e mencionava a possibilidade de pedir asilo político nos EUA. Eduardo também passou a defender publicamente que o governo americano impusesse sanções contra ministros do STF e integrantes da PGR e da Polícia Federal, com o objetivo de pressionar autoridades brasileiras a recuarem dos processos envolvendo Jair Bolsonaro. Isso fez com que, em 26 de maio de 2025, a pedido da PGR, o ministro Alexandre de Moraes determinasse a abertura de investigação contra Eduardo para apurar suspeitas de coação no curso do processo, obstrução de investigação e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Como deputado federal, Eduardo tinha direito a uma licença parlamentar de 120 dias, que foi iniciada em 20 de março de 2025 e terminou em 20 de julho de 2025. Apesar disso, ele continuou nos EUA, faltando às sessões deliberativas da Câmara dos Deputados. Assim, em dezembro de 2025, a Mesa Diretora da Câmara declarou a perda do mandato de Eduardo. Articulador de sanções Em julho de 2025, o governo Trump impôs tarifas de 50% sobre a importação de determinados produtos brasileiros e aplicou a Lei Global Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes e a sua esposa, Viviane Barci Mores. A justificativa para tais medidas era de que o ministro estaria promovendo uma perseguição política contra Jair Bolsonaro e violando a liberdade de expressão de cidadãos e empresas americanas, em referência às ordens judiciais de remoção de conteúdos nas redes sociais e o bloqueio do X no país. Na época, Eduardo foi apontado como um dos articuladores dessas medidas restritivas dos EUA. Em entrevista à BBC News Brasil, em agosto, o então deputado federal não descartou novas sanções contra autoridades do Legislativo caso não avancem propostas de anistia e de impeachment de Moraes. Condenação no STF Em junho de 2026, a Primeira Turma do STF condenou Eduardo, por unanimidade, pelo crime de coação no curso do processo, no âmbito do caso iniciado em maio de 2025. A pena foi fixada em quatro anos e dois meses de reclusão, inicialmente em regime semiaberto, além do pagamento de 50 dias-multa, sendo cada dia-multa equivalente a dois salários-mínimos. Com essa condenação, Eduardo também foi declarado inelegível por oito anos, após o cumprimento da pena, e ele perdeu o cargo público de escrivão da Polícia Federal. A defesa de Eduardo contestou a decisão, mas, em setembro de 2026, a Primeira Turma rejeitou, por unanimidade, o recurso. Em outubro de 2026, o ministro Alexandre de Moraes determinou as providências para a execução da condenação de quatro anos e dois meses. Entre elas, estão a expedição de mandado de prisão e o cancelamento do passaporte de Eduardo. Permanência nos EUA Eduardo manteve a sua residência nos EUA desde março de 2025 e, em julho de 2026, ele declarou ter recebido um green card na categoria EB-1A, destinada a pessoas com habilidades extraordinárias em determinadas áreas. Segundo ele, o processo de solicitação havia começado cerca de um ano antes. O documento permite que ele resida legalmente nos EUA por tempo indeterminado, sujeito às regras migratórias aplicáveis.
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