O resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, com a vitória do Partido Democrata que superou as expectativas e garantiu o controle da Câmara e do Senado, é avaliado por Marcelo Cabral, gestor de investimentos e sócio-fundador da Stratton Capital, como um cenário positivo para os mercados americanos. Segundo Cabral, o mercado tende a preferir um governo dividido, conhecido como "gridlock" ou paralisia política, pois isso limita a capacidade do governo de introduzir mudanças legislativas drásticas e interferir na economia. Ele observa que essa dinâmica reduz o prêmio de risco político e pode levar a uma perspectiva mais favorável para o déficit público, aliviando a pressão sobre as taxas de juros e impulsionando os títulos do Tesouro americano. Historicamente, o índice S&P 500 demonstrou uma valorização média de aproximadamente 15% nos 12 meses seguintes às eleições de meio de mandato desde 1950. No entanto, o Goldman Sachs, em relatório, apresenta uma visão diferente, sugerindo que os democratas podem usar os prazos de financiamento do governo e do teto da dívida para tentar limitar ações como a guerra com o Irã, reduzir tarifas e reverter cortes de gastos aprovados no ano passado, o que contraria a expectativa de Cabral de freio nos gastos.
O desfecho dependerá da forma como o novo Congresso democrata atuará em relação aos gastos públicos e à regulação, especialmente em temas como inteligência artificial. Os próximos relatórios de emprego dos EUA (payroll (relatório mensal de empregos dos EUA) em 2026-11-06 e 2026-12-04), inflação (CPI em 2026-11-10) e PIB (em 2026-11-25) serão cruciais para avaliar o impacto real das expectativas fiscais na economia e nas decisões do Federal Reserve.
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