A XP Investimentos revisou seu cenário-base, passando a projetar que a taxa Selic, atualmente em 13,75%, será mantida nesse nível até o fim de 2026 e 2027. O relatório "Esquenta do Copom", assinado pelo economista-chefe Caio Megale, indica que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a Selic inalterada na reunião desta terça (3) e quarta-feira (4). A casa de análise ressalta que o cenário é incerto, com a possibilidade de cortes serem retomados se houver estabilização dos ativos financeiros e melhora do quadro inflacionário, ou até mesmo elevação da taxa caso a situação exija. Essa mudança de perspectiva é atribuída a um fluxo de dados e notícias desde a última reunião do Copom, em setembro, quando a Selic foi cortada em 0,25 ponto percentual. Fatores como a depreciação do real, a elevação dos preços do petróleo e o aumento das expectativas inflacionárias de médio prazo são destacados. A XP também menciona riscos climáticos do El Niño, a aprovação do fim da jornada 6x1 e o aumento da alíquota do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) acima do previsto, além de um rebalanceamento dos grupos do IPCA, que deve pressionar os preços dos serviços. As projeções de mercado para a inflação de 2027 subiram 0,40 p.p. nos últimos dias, já estando acima da meta. A XP estima que a inflação projetada pelo Copom para 2026 deve se manter em 5,2%, mas para 2027, deve passar de 3,9% para 4,4%. No 2º trimestre de 2028, o horizonte relevante da política monetária, a inflação deve subir de 3,1% para 3,5%. O boletim Focus também aponta inflação mais alta em 2029, sugerindo uma potencial deterioração da credibilidade da política econômica. A XP projeta que o PIB do 3º trimestre deve recuar de 0% para -0,2%, acompanhado de um mercado de crédito mais frio e maiores taxas de inadimplência. A expectativa é de um comunicado do Copom mais duro, sem sinalização dos próximos passos.
O desfecho imediato dependerá da decisão do Copom sobre a taxa Selic nesta quarta-feira (4) e do teor de seu comunicado, especialmente se haverá ou não sinalização sobre os próximos passos da política monetária. No médio prazo, os próximos relatórios de inflação (IPCA) e o Boletim Focus, que atualizam as expectativas de mercado, serão cruciais para confirmar a persistência do cenário inflacionário e a rigidez da política monetária. A evolução da atividade econômica, com a divulgação do PIB do 3º trimestre, também será um fator determinante.
CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real