Recessão pode gerar perdas inéditas para pessoas físicas, alerta Jobim

Pedro Jobim, economista-chefe e sócio-fundador da Legacy Capital, projeta que uma recessão futura resultaria em perdas inéditas para investidores pessoa física, dado que o ciclo de endividamento atual se concentrou no mercado de capitais, e não no crédito bancário. Este mecanismo significa que eventuais calotes seriam absorvidos diretamente pelas carteiras dos investidores, impactando negativamente ações de empresas alavancadas como MGLU3 e FIIs de dívida como MXRF11. Para o investidor brasileiro, a potencial aversão a risco elevaria o prêmio de risco, pressionando o IBOV e o câmbio (USDBRL), enquanto o Banco Central poderia ser forçado a reduzir a Selic em resposta à desaceleração econômica. O principal gatilho a monitorar são os indicadores antecedentes de recessão e as próximas decisões de política monetária global. No horizonte de médio prazo, espera-se uma reavaliação dos modelos de risco e uma rotação para ativos mais defensivos e de baixo endividamento.

Análise

Nas próximas 4-8 semanas, o mercado deve permanecer em modo 'wait-and-see', com volatilidade elevada, enquanto aguarda dados macroeconômicos mais claros sobre a trajetória da economia. Se os indicadores antecedentes de recessão (ex: curva de juros invertida, PMI) se deteriorarem ainda mais, espera-se uma aceleração do movimento de desinvestimento de risco. O gatilho de aceleração para o cenário bearish seria uma série de balanços corporativos fracos no próximo trimestre ou um aumento inesperado nas taxas de inadimplência em CRIs.

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