Na visão de um grupo de eleitores que participou da sala de debate promovida pelo instituto Quaest, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protagonizou dois dos três melhores momentos do debate da noite desta sexta-feira (23), promovido pela TV Globo, enquanto o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estrelou a maioria dos piores momentos do confronto. Os cortes que se destacaram para o eleitor, de acordo com a análise, envolveram a fala de que Lula tem nove dedos para fazer uma ofensa e suposto envolvimento dos postulantes com Daniel Vorcaro. O melhor momento do debate foi protagonizado por Flávio quando ele afirmou que iria fazer um "tesouraço" na "corrupção" do governo petista e que os recursos enviados pelo Executivo ao Sistema Único de Saúde (SUS) são mal administrados, na perspectiva dos participantes da sala de debate do instituto de pesquisa. Na ocasião, o filho de Jair Bolsonaro se defendeu de uma acusação de que ele iria cortar o dinheiro da área da saúde, se eleito. "Não, Lula, tesouraço vai ser na corrupção do atual governo, tesouraço vai ser na burocracia, O tesouraço vai ser nos impostos que você criou. Foram mais de 30 que você criou ou aumentou. E eu quero falar para você que é do SUS: o dinheiro hoje que é investido aí é mal aplicado. Tá faltando até dipirona na unidade básica de saúde. Você chega no hospital e é fila para tudo. Você que é uma mãe atípica, quanto tempo você precisa esperar para ser atendida? Por um neuropediatra, por um fonoaudiólogo para atender o seu filho? Quantos meses, quantos anos muitas vezes? Então o SUS é mal gerido, mas o SUS é um orgulho nacional", declarou o senador. O segundo melhor, segundo o levantamento, foi no instante no qual presidente da República se defendeu da afirmação de Flávio de que o petista roubava dos brasileiros explorando o fato de que Lula tem nove dedos nas mãos. Neste momento, o candidato do PT rebaixou as experiências profissionais do adversário. "Ele disse uma grande asneira e eu não vou levar para casa. Ele me chamou de 9 dedos. Eu quero que ele saiba de uma coisa: se tem alguém aqui nesse público que sabe o que é o mundo do trabalho, sou eu. Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu, trabalhando da noite quando não podia trabalhar. Não vou permitir que o miliciano me chame de 9 dedos. Não vou permitir. Não vou permitir. Não vou ver. Ele nunca trabalhou na vida, não sabe o que é uma carteira profissional. O primeiro emprego que ele teve foi emprego falso pelo pai dele", afirmou o presidenciável petista neste momento. Já em relação aos piores momentos, o que pior pontuou entre o grupo focal da Quaest foi a primeira participação de Flávio no debate. Nesta fala, o senador diz que "o Brasil voltou a ser um grande cemitério de obras" e citou o aumento de obras inacabadas neste período final da gestão petista. Para essas pessoas, o outro instante que teve um desempenho pior dos candidatos foi quando Lula retrucou Flávio e reforçou querer saber se o adversário irá, caso eleito, reajustar as aposentadorias e o BPC acima da inflação. "Eu perguntei se você vai. Você nunca responde a pergunta. Eu perguntei se você vai aumentar o salário dos aposentados acima da inflação, se vai apresentar o BPC, se vai aumentar o trabalhador rural, se vai aumentar as pensionistas e se vai aumentar 26 milhões de aposentados que ganham salário mínimo. É isso que você tem que dizer: vai ou não vai? Porque você inventou um tesouraço que um dia diz que vai, a sua economista diz que vai, você diz que nega. Eu quero saber o seguinte: então onde é que tá a verdade?", questionou o presidente. A Quaest também levantou o desempenho geral dos candidatos no debate de acordo com o segmento em notas de 0 a 10. Flávio, na visão dos bolsonaristas, teve nota 9, enquanto entre os lulistas atribuíram a ele a nota 3,4. Para os eleitores de direita, o senador teve nota 7,4, seguido pelos independentes (6) e pelos de esquerda (4,2). Lula, por sua vez, teve nota 8,7 entre seus apoiadores lulistas e 3 entre os bolsonaristas. Entre os de esquerda, o desempenho foi 6,5, de 5,2 entre os independentes e de 3,9 entre as pessoas de direita.
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