B3 registra 2ª saída mensal de capital estrangeiro em junho

Investidores estrangeiros retiraram R$ 7,78 bilhões do mercado secundário da B3 em junho, marcando o segundo mês consecutivo de saídas, embora o saldo acumulado no ano permaneça positivo em R$ 33,8 bilhões. A saída reflete uma reavaliação do prêmio de risco-país e menor diferencial de juros reais entre Brasil e economias desenvolvidas, reduzindo o apetite para carry trade e o fluxo para ativos de risco locais. O fluxo negativo tende a pressionar o IBOV (BOVA11) para baixo, especialmente setores mais sensíveis a juros e crescimento doméstico como varejo (MGLU3, LREN3) e construção (CYRE3). A desvalorização do BRL (USDBRL ↑) e a queda do IBOV (BOVA11 ↓) impactam negativamente o poder de compra e o valor das carteiras domésticas, enquanto ativos dolarizados ganham. A B3 e o Banco Central monitoram esses fluxos, que podem influenciar decisões de política monetária e de gestão de liquidez, visando restaurar a confiança e a atratividade. Em 2021, o Brasil registrou saída líquida de estrangeiros de R$ 38 bilhões, impulsionada pela incerteza fiscal e juros globais em alta, resultando em desvalorização do real em ~7% e queda do Ibovespa em ~12% no ano. A próxima reunião do Copom e a divulgação de dados de inflação e atividade econômica serão cruciais para indicar uma possível reversão da tendência ou intensificação do fluxo. No médio prazo, a sustentabilidade fiscal, a convergência da inflação e a perspectiva de cortes mais agressivos na Selic são essenciais para atrair o 'gringo' de volta, mas a competição por capital global é intensa.

Análise

Nas próximas 4-8 semanas, se o fluxo estrangeiro não reverter a tendência de saída, o IBOV (BOVA11) pode testar a faixa de 165.000-168.000 pontos. O USDBRL (R$5.2179 hoje) tende a se aproximar de R$5.30-5.35, especialmente se dados de inflação global surpreenderem para cima ou se a estabilidade fiscal brasileira for questionada. A reversão dependerá de sinais claros de política monetária e fiscal.

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