Criptomoedas mais seguras? Veja 7 riscos que a nova regulação do Banco Central não elimina

A nova regulação das criptomoedas no Brasil estabelece exigências para aumentar a segurança das exchanges e proteger os recursos dos clientes, mas isso não significa que investir em Bitcoin e outros ativos digitais se tornou uma atividade sem riscos. Mesmo utilizando uma plataforma autorizada pelo Banco Central, o investidor poderá perder dinheiro com quedas de preço, golpes, falências e problemas envolvendo a custódia de seus ativos. As regras, que começaram a entrar em vigor em fevereiro de 2026, obrigam as empresas do setor a cumprir requisitos de segurança, transparência, governança e separação entre os recursos dos clientes e o patrimônio das corretoras. Entretanto, o principal objetivo é reduzir os riscos relacionados à atuação dessas instituições, e não impedir prejuízos provocados pelo próprio mercado de criptomoedas. É o que explica Vanessa Butalla, diretora de Jurídico, Compliance e Riscos do Mercado Bitcoin (MB). “Embora represente um avanço importante para a segurança do mercado, é fundamental entender que a regulação não elimina os riscos dos investimentos em criptoativos. Ter conta em uma corretora autorizada pelo Banco Central não significa um investimento livre de riscos”, afirma. A distinção é especialmente importante às vésperas de 30 de outubro, prazo estabelecido pelo BC para que empresas que já operavam no Brasil apresentem seus pedidos de autorização. A solicitação da licença também não significa que a instituição já tenha recebido a aprovação definitiva do regulador. Veja sete riscos que continuam existindo, mesmo com as novas regras. 1. Bitcoin e outras criptomoedas podem continuar sofrendo grandes quedas O primeiro risco que permanece é também um dos mais conhecidos: a volatilidade. Essas variações dependem de fatores como oferta e demanda, condições econômicas, liquidez e expectativas dos investidores. A regulação brasileira não estabelece preços mínimos para os criptoativos nem impede que uma moeda digital perca grande parte de seu valor. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também alerta para a elevada volatilidade das criptomoedas, que pode resultar em perdas expressivas para investidores que não compreendem os riscos desses ativos. O mesmo vale para tokens de projetos menores, que podem perder liquidez, deixar de ser negociados ou até perder praticamente todo seu valor. 2. Criptomoedas não terão proteção do FGC Outra confusão que a nova regulamentação pode provocar está relacionada ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O FGC é uma entidade privada que oferece proteção a determinados depósitos e investimentos bancários, como CDBs, LCIs e LCAs, dentro de limites e condições específicos. Essa proteção não se aplica às criptomoedas, mesmo quando elas são compradas em uma exchange autorizada pelo Banco Central. A própria Resolução BCB nº 520 determina expressamente que as prestadoras devem informar seus clientes sobre a ausência de cobertura do FGC, do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop) e de mecanismos equivalentes para os ativos virtuais ofertados. Portanto, caso um investidor mantenha R$ 100 mil em Bitcoin dentro de uma corretora e a empresa enfrente problemas financeiros, não poderá recorrer ao FGC para recuperar esse valor. Isso não significa que o cliente necessariamente perderá os recursos. A segregação patrimonial e as demais obrigações regulatórias procuram proteger os ativos, mas não criam um seguro automático contra todos os prejuízos. Leia também: Como a nova regulação cripto vai proteger o investidor? Entenda o que muda com as regras do Banco Central 3. Exchanges autorizadas ainda podem quebrar ou sofrer ataques hackers A nova regulamentação exige que as exchanges mantenham estruturas adequadas de governança, gestão de riscos e segurança cibernética. Também estabelece a separação entre os recursos da empresa e os ativos pertencentes aos clientes. Essas obrigações procuram evitar situações em que uma corretora utilize indevidamente os recursos dos usuários ou deixe de adotar medidas básicas para protegê-los. Entretanto, a existência dessas regras não elimina o risco de falência, problemas de liquidez, fraudes internas ou invasões de sistemas. Uma exchange poderá cumprir as exigências do Banco Central e, ainda assim, sofrer um ataque hacker capaz de comprometer parte de suas operações. Da mesma forma, problemas administrativos ou financeiros podem levar uma empresa a enfrentar dificuldades para continuar funcionando. O episódio da FTX, que faliu em 2022 após a descoberta do uso indevido de bilhões de dólares pertencentes aos clientes, tornou-se um dos exemplos mais conhecidos dos riscos associados à concentração de recursos em plataformas centralizadas. As regras brasileiras procuram reduzir a possibilidade de problemas semelhantes, mas nenhuma estrutura de fiscalização consegue garantir que uma instituição jamais enfrentará dificuldades. A segregação patrimonial, por exemplo, ajuda a preservar a distinção entre recursos de clientes e da empresa. Porém, a recuperação efetiva dos ativos em uma situação de insolvência poderá depender das circunstâncias do caso, da qualidade dos registros e de eventuais disputas judiciais. Por isso, é importante que o investidor observe as políticas de custódia, segurança e retirada de recursos da plataforma, além de verificar quais mecanismos de cobertura de riscos efetivamente existem. 4. Golpes e pirâmides financeiras não vão desaparecer A autorização das exchanges também não significa o fim dos golpes envolvendo criptomoedas. Criminosos podem continuar utilizando Bitcoin, stablecoins e outros ativos digitais para atrair vítimas com promessas de rentabilidade elevada, investimentos supostamente garantidos ou plataformas falsas. Entre as práticas mais comuns estão pirâmides financeiras, esquemas de investimento fraudulentos, aplicativos que imitam corretoras legítimas e golpes nos quais os criminosos se passam por funcionários de instituições conhecidas. A CVM alerta que propostas de ganhos extraordinários, como rendimentos de 10%, 20% ou até 60% ao mês, merecem atenção especial dos investidores. O problema é que esses esquemas podem atuar fora das instituições reguladas ou até utilizar o nome de empresas autorizadas para transmitir uma falsa aparência de segurança. Por exemplo, um golpista pode afirmar que uma oportunidade de investimento é segura porque as transferências serão realizadas em Bitcoin comprado em uma corretora autorizada pelo BC. Entretanto, a autorização da exchange não representa qualquer validação do investimento oferecido por terceiros. A regulação poderá ampliar o monitoramento de operações suspeitas e dificultar determinadas atividades criminosas, mas não impede que investidores sejam enganados por promessas falsas. 5. Stablecoins também podem perder valor As stablecoins são frequentemente apresentadas como uma alternativa para quem deseja ter exposição ao dólar sem precisar comprar a moeda americana diretamente. É o caso do USDT, emitido pela Tether, e do USDC, da Circle, que procuram manter paridade com o dólar. Como essas criptomoedas costumam apresentar menor volatilidade em dólares do que o Bitcoin, parte dos investidores pode acreditar que elas também são livres de riscos. Entretanto, as stablecoins dependem de mecanismos de manutenção de preço, da capacidade dos emissores de honrar resgates e, em determinados modelos, da qualidade e disponibilidade dos ativos mantidos como reserva. Problemas nessas estruturas podem fazer com que uma stablecoin deixe de acompanhar o valor da moeda à qual está vinculada, fenômeno conhecido como depeg. Um dos exemplos mais conhecidos aconteceu em maio de 2022, quando a stablecoin algorítmica TerraUSD (UST) perdeu sua paridade com o dólar e praticamente todo o seu valor. Leia também: Banco Central vai controlar seu Bitcoin? Veja 10 mitos e verdades sobre a nova regulação cripto Em março de 2023, o USDC também chegou a ser negociado abaixo de US$ 0,90 durante a crise do Silicon Valley Bank, embora tenha recuperado posteriormente a paridade com a moeda americana. As novas regras brasileiras estabelecem exigências para as empresas que oferecem serviços envolvendo esses ativos, mas não garantem que toda stablecoin negociada em uma plataforma regulada será capaz de manter seu valor. 6. Investidores ainda podem perder criptomoedas em carteiras próprias Outra área que permanece sujeita a riscos é a autocustódia, modelo no qual o próprio usuário controla as chaves privadas necessárias para movimentar suas criptomoedas. Essa modalidade permite guardar Bitcoin e outros ativos sem depender diretamente de uma exchange para realizar transferências. Entretanto, também transfere para o investidor a responsabilidade por proteger suas senhas, dispositivos e frases de recuperação. Caso alguém perca a frase que permite recuperar sua carteira, por exemplo, poderá ficar permanentemente sem acesso às criptomoedas. O mesmo pode acontecer quando os ativos são enviados para um endereço incorreto ou para uma rede incompatível, dependendo das características da operação. Diferentemente de uma transferência bancária convencional, transações confirmadas em blockchains como a do Bitcoin geralmente não podem ser revertidas por uma instituição financeira. A nova regulamentação não modifica esse funcionamento técnico nem cria um mecanismo de recuperação automática de criptomoedas perdidas pelo usuário. O Banco Central passou a estabelecer exigências adicionais para determinadas transferências entre exchanges e carteiras de autocustódia, incluindo regras de identificação e monitoramento. Isso, porém, não significa que o regulador tenha controle sobre todas as carteiras privadas ou possa recuperar Bitcoin perdido por erro do investidor. 7. Plataformas estrangeiras sem autorização podem trazer dificuldades adicionais Outro ponto destacado pelos especialistas envolve as exchanges internacionais que oferecem serviços a brasileiros sem observar as exigências regulatórias locais. Com a nova regulamentação, empresas que pretendem prestar serviços de ativos virtuais no Brasil devem atender às condições estabelecidas pelo Banco Central, incluindo as regras de autorização e funcionamento. Entretanto, investidores ainda podem encontrar plataformas estrangeiras que não possuem uma estrutura regular no país. Nesses casos, problemas como bloqueios de conta, atrasos em saques ou conflitos sobre saldos podem ser mais difíceis de resolver. “Também é necessário ter atenção às plataformas estrangeiras que oferecem serviços a brasileiros sem observar as exigências regulatórias locais. Nesses casos, o investidor pode ficar exposto a riscos adicionais e enfrentar mais dificuldades para recorrer aos mecanismos de fiscalização e proteção previstos no Brasil”, afirma Vanessa Butalla. A situação é diferente de uma empresa estrangeira que possui subsidiária brasileira devidamente autorizada e oferece os serviços por meio dessa estrutura. Por isso, o investidor deve verificar qual empresa efetivamente presta o serviço contratado, em que país ela está estabelecida e quais normas se aplicam à sua relação com a plataforma. É importante observar também que o simples anúncio de um pedido de autorização não significa que a empresa já tenha recebido a licença do BC. As instituições que já estavam em funcionamento antes da entrada em vigor das regras possuem um período de transição para se adaptar, mas deverão cumprir as exigências e passar pela análise do regulador. Afinal, o que muda para quem investe em criptomoedas? A principal mudança trazida pela regulação não está no comportamento das criptomoedas, mas na forma como as empresas que oferecem serviços relacionados a esses ativos deverão atuar. As exchanges passam a ter obrigações mais claras para proteger recursos dos clientes, prevenir conflitos de interesses, reforçar a segurança de seus sistemas e prestar informações aos usuários. A supervisão do Banco Central também cria mecanismos para acompanhar a atuação das instituições e identificar eventuais descumprimentos das regras. Isso, contudo, não transforma as criptomoedas em investimentos garantidos pelo governo nem impede que o investidor sofra prejuízos por decisões próprias, movimentos de mercado ou atividades criminosas. “A principal diferença é que a regulação busca proteger o investidor de riscos relacionados à atuação das empresas, como falhas de controle, segurança e gestão dos recursos. Já os riscos de mercado, como a volatilidade dos criptoativos, continuam fazendo parte do investimento”, resume Butalla. Na prática, mesmo com o avanço da regulamentação, o investidor precisará continuar avaliando os riscos de cada criptomoeda, a segurança das plataformas utilizadas e as condições dos serviços contratados. A existência de fiscalização é uma proteção adicional, não uma garantia de rentabilidade ou de recuperação de todos os recursos em qualquer circunstância. Se você quer investir em criptomoedas com segurança, o Mercado Bitcoin oferece um benefício especial aos nossos leitores: use o cupom PORTAL250 no cadastro e ganhe R$ 50 de bônus em Bitcoin ao comprar R$ 250 em ativos. Clique aqui para abrir sua conta. O post Criptomoedas mais seguras? Veja 7 riscos que a nova regulação do Banco Central não elimina apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.

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