De onde vieram os votos que elegeram Lula? Os números por trás da virada

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi construída com uma expansão da votação em praticamente todo o Brasil. O presidente conquistou 10,3 milhões de votos adicionais entre o primeiro e o segundo turno, ampliou seu desempenho nos 26 estados e no Distrito Federal e conseguiu reverter a vantagem inicial de Flávio Bolsonaro (PL). Com 100% das urnas apuradas, Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos válidos, contra 59.826.041 de Flávio, ou 48,21%. A diferença final foi de 4,4 milhões de votos. O resultado representa uma mudança de aproximadamente 6,6 milhões de votos no saldo entre os candidatos. Em 4 de outubro, Flávio havia terminado o primeiro turno com vantagem de 2,2 milhões sobre o petista, a menor distância entre os dois primeiros colocados desde a redemocratização. Leia também Lula 4 terá desafio de unir agenda social e estabilidade fiscal com Congresso adverso Novo mandato exigirá ampla articulação com o Congresso para conter a dívida pública, frear o risco fiscal e atrair investimentos, dizem analistas Flávio não reconhece resultado da eleição e diz que pedirá anulação ao TSE Derrotado por Lula, senador questiona decisão de Zanin que prorrogou votação e denuncia retirada de fiscais do PL da sala-cofre; acusações ainda não foram comprovadas Três quartos dos votos dos finalistas A votação de Lula passou de 53,9 milhões para 64,2 milhões de votos, um crescimento de 19,3%. Flávio avançou de 56,1 milhões para 59,8 milhões, alta de 6,6%. Dos cerca de 14,1 milhões de votos acrescentados às votações dos dois candidatos, 73,6% foram para Lula. O aumento obtido pelo presidente também superou a soma dos votos dados aos demais presidenciáveis no primeiro turno. Juntos, os candidatos eliminados, entre eles Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), haviam recebido aproximadamente 9,5 milhões de votos. A diferença indica que a transferência de votos dos candidatos derrotados, isoladamente, seria insuficiente para explicar o avanço de Lula, mesmo na hipótese de migração integral desses eleitores. Mais comparecimento e menos brancos e nulos A participação eleitoral também mudou entre as duas votações. A abstenção recuou de 21,08% para 19,22%, levando aproximadamente 2,9 milhões de eleitores adicionais às urnas. Ao mesmo tempo, a quantidade de votos brancos e nulos caiu de cerca de 5,98 milhões para 4,15 milhões, uma redução de 1,83 milhão. Esses dois movimentos acrescentaram aproximadamente 4,7 milhões de votos válidos ao segundo turno, além dos votos que já haviam sido destinados aos candidatos eliminados. Os números ajudam a explicar o crescimento das votações, mas não permitem identificar individualmente a escolha dos eleitores. Parte dos que haviam se abstido pode ter votado em qualquer um dos finalistas, assim como eleitores que votaram no primeiro turno podem ter faltado ao segundo. A maior participação ocorreu em grande parte do território nacional. O comparecimento aumentou em 4.858 municípios, aproximadamente 87% do total. Sudeste foi decisivo Os maiores ganhos absolutos de Lula ocorreram nos três maiores colégios eleitorais do Sudeste. Em São Paulo, o presidente passou de 9.505.413 votos no primeiro turno para 12.119.274 no segundo, um acréscimo de 2,6 milhões. Apesar do crescimento, Flávio venceu no estado, com aproximadamente 53,9% dos votos válidos. Minas Gerais acrescentou outros 1,16 milhão de votos à votação de Lula e foi o único estado onde o petista conseguiu reverter a liderança de Flávio. O resultado terminou em 50,43% para o presidente e 49,57% para o senador. No Rio de Janeiro, Lula conquistou aproximadamente 872 mil votos adicionais. O crescimento foi suficiente para virar a disputa na capital fluminense, embora Flávio tenha mantido a maioria dos votos no conjunto do estado. O desempenho mostra que a recuperação do presidente dependeu também da redução das vantagens do adversário em regiões onde o PL havia conseguido resultados expressivos no primeiro turno. Nordeste ampliou a votação do presidente Na região em que já concentrava suas maiores vantagens, Lula recebeu aproximadamente 3 milhões de votos adicionais. A votação do petista no Nordeste passou de 21,5 milhões para 24,5 milhões, crescimento de 13,75%. O aumento ocorreu em paralelo à queda da abstenção em estados como Bahia e Pernambuco, que registraram algumas das maiores reduções na ausência de eleitores entre os dois turnos. Lula venceu na Bahia com 71,31% dos votos válidos e em Pernambuco com 69,19%, mantendo a região como uma das principais bases de sua votação nacional. Saldo de Lula melhorou em 97% dos municípios A recuperação também aparece quando se compara a diferença de votos entre os dois candidatos em cada município. Lula melhorou seu saldo em relação a Flávio em 5.410 dos 5.570 municípios brasileiros, o equivalente a aproximadamente 97% das cidades. O presidente conseguiu virar o resultado em 211 municípios que haviam dado maioria a Flávio no primeiro turno. O movimento contrário ocorreu em apenas uma cidade. A recuperação foi particularmente expressiva em municípios do Sul e do Sudeste, mas também alcançou o Centro-Oeste e o Norte. Os 160 municípios em que Flávio melhorou seu saldo se concentraram principalmente no interior da Bahia, no norte de Minas Gerais e em áreas do sertão de Pernambuco e do Piauí, regiões em que Lula já tinha votação elevada na primeira etapa. Flávio perdeu votos em 939 cidades Embora tenha ampliado sua votação nacional em 3,7 milhões, Flávio terminou o segundo turno com menos votos absolutos em 939 municípios. Nessas localidades, a redução acumulada foi de 134.091 votos. O senador também registrou queda no total de votos em seis unidades da Federação. A perda localizada, somada ao crescimento mais acelerado de Lula em praticamente todo o país, contribuiu para a reversão da diferença do primeiro turno. Com 64,2 milhões de votos, Lula superou seu próprio recorde de votação presidencial, estabelecido em 2022, quando recebeu 60,3 milhões de votos e derrotou Jair Bolsonaro por uma margem de aproximadamente 2,1 milhões. Desta vez, a vantagem sobre Flávio chegou a 4,4 milhões de votos. Foi a primeira vez, desde 1989, que um candidato à Presidência terminou o primeiro turno em segundo lugar e venceu a disputa na votação seguinte. The post De onde vieram os votos que elegeram Lula? Os números por trás da virada appeared first on InfoMoney.

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