Mercado subestima Fed; alta de juros iminente com inflação e petróleo

O mercado precifica uma chance quase nula de elevação da taxa de juros pelo Federal Reserve este ano, contrariando os dados recentes do CME Group, que indicam uma probabilidade superior a 75% para um aumento até dezembro. Este descolamento é notável, considerando que no início do ano a probabilidade era praticamente zero. O mecanismo econômico por trás da expectativa de alta reside na persistência inflacionária, impulsionada pelo petróleo acima de US$75 devido à situação no Irã, salários ainda superando as metas e consumo resiliente, apesar das pesquisas de sentimento 'soft'. Consequentemente, ativos de risco como o BTC e ETFs de tecnologia como QQQ tendem a ser penalizados, enquanto o USDBRL e bancos como JPM e ITUB4 podem se beneficiar. Para o investidor brasileiro, um dólar mais forte e juros globais mais altos podem pressionar o IBOV e a Selic, dificultando o afrouxamento monetário doméstico. Um paralelo histórico pode ser traçado com o ciclo de aperto do Fed entre 2004 e 2006, onde o mercado inicialmente subestimou a persistência do aperto, resultando em reavaliações. Os próximos gatilhos a monitorar são os dados de inflação (CPI) e emprego (payroll), além das comunicações dos membros do Fed, que podem solidificar as expectativas. No médio prazo, um ambiente de juros 'higher for longer' pode levar a uma reavaliação duradoura dos múltiplos de mercado.

Análise

Nas próximas 4-6 semanas, o mercado deve passar por uma reavaliação de risco, com o SPY ($754.95) e QQQ ($725.51) sob pressão caso os dados de inflação (CPI) e emprego continuem fortes. Se o Fed confirmar um viés hawkish em suas próximas declarações, o BTC ($63,698) pode testar níveis de suporte em $60,000, enquanto o USDBRL ($5.1075) tende a buscar patamares acima de $5.20. O gatilho principal será a divulgação do próximo índice de preços ao consumidor e o payroll, que podem solidificar a tese de aperto.

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