O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu um novo inquérito da Polícia Federal (PF) contra o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), para apurar suposta lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. Enviado há pelo menos uma semana, o inquérito foi distribuído por sorteio ao ministro Alexandre de Moraes. Este é o segundo inquérito do qual Flávio é alvo de análise na Suprema Corte. A investigação, revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo Valor, mostra indícios de vínculo pessoal entre o presidenciável e o advogado, após quebra de sigilo da nuvem do celular de Willer. Como Flávio tem foro privilegiado, o caso foi encaminhado ao STF. "A análise da trajetória pessoal e dos dados relacionados a Willer revelou a existência de uma ampla rede de contatos com agentes públicos e figuras de projeção política", diz o relatório. "Entre os vínculos que merecem especial atenção está aquele relacionado ao senador Flávio Bolsonaro, cuja proximidade com o investigado aparece indicada nos elementos analisados." O relatório revela fotos do advogado e de Flávio em momentos de descontração. Há fotos de ambos em viagens e de Flávio tomando vinho e sem camisa à beira da piscina. "Entre os registros localizados, constam referências a festas, encontros e reuniões envolvendo ambos, além de documentos de natureza pessoal vinculados a Flávio encontrados no iCluod de Willer", diz o documento. iCloud é o serviço de armazenamento em nuvem da Apple, ou seja, quando não está salvo em apenas um dispositivo. Procurado pelo Valor via assessoria, Flávio não respondeu até a publicação. Flávio, entretanto, já falou publicamente da sua relação com Tomaz. No fim de setembro, ele assumiu que voava no avião particular que o advogado, a quem chamava de amigo, dividia com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. "Fiz várias viagens junto com ele, então não temos absolutamente nada de errado", disse, em evento no final de setembro. Flávio acrescentou ainda que o fato de Tomaz ter cota de propriedade no avião não tem relação com o fato de Vorcaro também ser proprietário da aeronave. Flávio é investigado pela Polícia Federal em outro inquérito, sobre o financiamento do filme "Dark Horse", que recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro a pedido do senador. Flávio diz se tratar de patrocínio privado e nega irregularidades. O Valor não localizou a defesa de Tomaz.
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