O conselho de administração da Raízen aprovou nesta sexta-feira (6) um amplo pacote de medidas para viabilizar a implementação do plano de recuperação extrajudicial da companhia, homologado pela Justiça em junho deste ano. As deliberações incluem um aumento de capital de até R$ 39,8 bilhões, a criação de um programa de “units” (conjuntos de ações), o lançamento de recibos de ações negociáveis nos Estados Unidos e uma emissão de debêntures destinada a credores. O principal componente da operação é um aumento de capital privado que poderá variar de R$ 3,5 bilhões a R$ 39,8 bilhões, por meio da emissão de até 159,2 bilhões de novas ações ordinárias, preferenciais Classe A e preferenciais Classe B. O preço de emissão foi fixado em R$ 0,25 por ação e R$ 0,50 por “unit”. A operação é considerada condição essencial para a eficácia do plano de reestruturação da companhia. A operação prevê aporte de até R$ 3,5 bilhões da Shell, acionista do bloco de controle da companhia, além de uma possível participação da Aguassanta Participações, que poderá investir até R$ 500 milhões caso decida aderir ao processo. Além da entrada de novos recursos, parte da reestruturação ocorrerá por meio da conversão de créditos em participação acionária. Credores sujeitos ao plano poderão capitalizar seus créditos mediante a subscrição de “units”, cada uma formada por uma ação ordinária e uma ação preferencial Classe A. Segundo a companhia, a medida tem como objetivo reduzir o endividamento e fortalecer a estrutura de capital. A empresa também aprovou a criação de um programa de “units”. O BTG Pactual atuará como instituição depositária e emissora dos certificados representativos dessas “units”. Outra medida aprovada foi a implementação de um programa de American Depositary Shares (ADSs), ou recibos de ações negociados no mercado americano. O programa será de Nível I e terá o Citibank como banco depositário. A estrutura permitirá que “units” da companhia sejam representadas por ADSs para negociação por investidores nos Estados Unidos. O conselho aprovou ainda a quinta emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, com garantia real e garantia fidejussória adicional. Os acionistas da companhia terão direito de preferência para participar do aumento de capital entre 9 de novembro e 8 de dezembro de 2026. A administração ressaltou que os investidores que exercerem integralmente esse direito poderão preservar sua participação proporcional na empresa, enquanto aqueles que optarem por não participar poderão sofrer diluição estimada entre 57% e 94%, dependendo do volume final da operação. Segundo a companhia, os recursos captados serão destinados principalmente ao reforço do capital de giro e à redução do endividamento financeiro, em linha com as medidas previstas no plano de recuperação extrajudicial.
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