Como investir em ações com ETFs? Veja opções e o que avaliar antes de escolher

Como investir em ações com ETFs? Veja opções e o que avaliar antes de escolher Investir em ações por meio de ETFs é uma estratégia que permite acessar uma carteira de empresas com uma única aplicação na Bolsa, sem precisar selecionar individualmente cada papel. Há fundos que acompanham o Ibovespa, outros voltados a empresas menores, estratégias específicas de investimento e até mercados internacionais, como o americano e o chinês. A escolha, porém, vai além de identificar o índice que apresentou a maior valorização recente. Custos, metodologia de seleção dos ativos, diversificação e exposição cambial também devem entrar na análise do investidor. O assunto foi discutido em um podcast promovido pela Suno, apresentado por Danielle Lopes, sócia e analista de ações da casa, com participação de Malek Zein, analista de ações da Suno Research, Leonardo Vasques, portfolio manager da XP Asset, e Clara Sodré, analista de fundos na XP. Como escolher um ETF de ações? Antes de investir, o primeiro passo é entender qual exposição o fundo oferece e como ela se encaixa nos objetivos do investidor. Um ETF que acompanha o Ibovespa, por exemplo, tem uma proposta diferente de outro concentrado em empresas menores ou em ações internacionais. Além do índice de referência, três pontos merecem atenção. 1. Conheça a estratégia e os ativos da carteira dos ETFs O índice acompanhado determina quais empresas podem fazer parte do ETF e como elas são distribuídas no fundo. Por isso, é importante entender se o produto oferece exposição ampla ao mercado, concentra-se em determinado segmento ou adota critérios específicos para selecionar ações. 2. Compare custos e rentabilidade dos ETFs A taxa de administração influencia o resultado, mas não é o único fator relevante. Diferenças na composição da carteira, na metodologia de acompanhamento do índice e nas receitas obtidas pelo fundo também podem afetar o desempenho. Malek Zein destacou que o investidor precisa considerar o custo total da aplicação, incluindo os impostos incidentes sobre os ganhos. “Não adianta você ter um custo mais baixo e pagar muito mais imposto”, afirmou o analista. A comparação também deve levar em conta a liquidez das cotas e a diferença entre os preços de compra e venda, que pode afetar o custo de negociação. 3. Avalie os riscos e o horizonte de investimento dos ETFs Cada estratégia apresenta características próprias. ETFs de small caps, por exemplo, podem ter comportamento diferente dos fundos ligados às maiores empresas da Bolsa. Já os ETFs internacionais estão sujeitos às oscilações dos mercados estrangeiros e, dependendo do produto, do câmbio. O investidor precisa avaliar se consegue suportar essas oscilações e qual será a função do ETF na carteira, evitando escolher um produto apenas porque ele teve bom desempenho no passado. Quais são os principais tipos de ETFs de ações? Os ETFs permitem acessar diferentes segmentos do mercado com uma única cota. Entre as principais alternativas estão os fundos ligados a índices amplos, empresas de menor capitalização, fatores de investimento, setores específicos e mercados internacionais. Ibovespa: exposição ampla à Bolsa brasileira Os ETFs que acompanham o Ibovespa buscam reproduzir o desempenho do principal índice de ações do mercado brasileiro, que reúne uma carteira de empresas negociadas na B3. Essa categoria permite investir indiretamente em diversas companhias sem precisar comprar cada ação separadamente. É uma alternativa para quem deseja acompanhar o comportamento de uma parcela representativa da Bolsa brasileira. Entretanto, mesmo quando dois ETFs seguem o mesmo índice, eles podem apresentar diferenças de desempenho por causa de custos e características operacionais. Durante o podcast, Leonardo Vasques citou o BOVX11, ETF de Ibovespa da XP Asset, e destacou a taxa de administração e a estratégia de aluguel de ações como diferenciais do produto. “Quando a gente pega a rentabilidade patrimonial dos ETFs de Ibovespa disponíveis no mercado, o nosso supera os outros sete em todas as janelas que a gente viu”, afirmou o gestor. Segundo Vasques, a possibilidade de alugar até 90% da carteira permite ao fundo obter receitas adicionais com o empréstimo de ações. Esse percentual representa o limite previsto na estratégia, e não necessariamente a parcela efetivamente alugada em todos os momentos. O exemplo mostra por que vale comparar produtos que acompanham o mesmo indicador. Ainda assim, o investidor deve avaliar o conjunto de custos, a liquidez e o histórico de desempenho, sem presumir que resultados anteriores se repetirão. Small caps: foco em empresas menores Outra possibilidade é investir em ETFs de small caps, que oferecem exposição a empresas de menor capitalização de mercado. Esses fundos permitem acessar um conjunto de companhias menores sem que o investidor precise escolher cada ação individualmente. Como essas empresas podem apresentar características diferentes das grandes companhias da Bolsa, a estratégia também pode se comportar de maneira distinta do Ibovespa. No podcast, Vasques citou o XCAP11, ETF vinculado a um índice de small caps com uma metodologia de rebalanceamento gradual. A proposta é reduzir o impacto das entradas e saídas de empresas na carteira ao longo das revisões do índice. Em vez de incorporar ou retirar uma companhia de uma só vez, a metodologia distribui essa mudança entre rebalanceamentos consecutivos. “Em vez de deixar a empresa que está caindo de mid ou large cap para small cap entrar com o peso cheio, a gente faz ela entrar de forma faseada”, explicou Vasques. O gestor afirmou que simulações históricas indicaram um desempenho superior ao de um índice tradicional de small caps. Segundo ele, o teste retroativo apontou um retorno anual cerca de 2,5 pontos percentuais superior ao do indicador de referência ao longo de dez anos, mantendo volatilidade semelhante. O resultado, contudo, não representa uma garantia de retorno futuro. Por envolver empresas menores, essa categoria exige atenção à volatilidade, à liquidez dos ativos e à capacidade do investidor de suportar períodos de desempenho inferior ao mercado. Fatores: estratégias de valor e outras características Os ETFs de fatores seguem metodologias que selecionam ações com base em características específicas, em vez de simplesmente reproduzir um índice amplo de mercado. Entre as estratégias possíveis está o investimento em valor, que busca empresas consideradas atrativas segundo critérios relacionados ao preço e a indicadores financeiros. Existem também abordagens que priorizam fatores como qualidade, tamanho ou outras características das companhias. Na conversa, Vasques mencionou o XVAL11, ETF voltado ao fator valor. O produto procura oferecer essa exposição por meio de uma metodologia desenvolvida em conjunto com a gestora sistemática Giant Steps. A proposta é permitir que o investidor adote uma estratégia específica sem precisar selecionar individualmente as ações que atendem aos critérios do fundo. “Em vez de colocar um fator de qualidade no índice de small caps, a gente optou por começar a criar ETFs de fatores”, explicou o gestor, ao detalhar a decisão de separar as diferentes estratégias em produtos próprios. A vantagem é o acesso simplificado a uma abordagem de investimento. Em contrapartida, o desempenho depende da metodologia utilizada e das condições de mercado: um fator pode passar por períodos prolongados de resultados inferiores aos de índices mais amplos. Setoriais e temáticos: exposição a segmentos específicos Também existem ETFs que concentram investimentos em determinados setores ou temas. Em vez de acompanhar uma parcela ampla do mercado, esses produtos direcionam a carteira a grupos de empresas com características semelhantes. No podcast, Vasques citou o OBRA11, com foco em empresas de infraestrutura, utilities e bens de capital. Segundo o gestor, o fundo tem uma carteira mais pulverizada do que outros índices voltados a utilities, o que permite distribuir a exposição entre mais companhias do segmento. Essa categoria pode ser utilizada por investidores que desejam aumentar a exposição a um setor específico. Entretanto, quanto maior a concentração em determinado segmento, maior pode ser a influência de fatores particulares daquele mercado sobre o desempenho do fundo. Por isso, ETFs setoriais e temáticos devem ser avaliados em conjunto com os demais investimentos, e não necessariamente como substitutos de uma carteira diversificada. Internacionais: como investir em ações de outros países Os ETFs internacionais permitem acessar mercados estrangeiros por meio de cotas negociadas na Bolsa brasileira. Dessa forma, o investidor pode obter exposição a empresas e economias de outros países sem precisar comprar diretamente cada ação no exterior. Entre os exemplos discutidos no podcast estão fundos ligados à Nasdaq, ao S&P 500 e ao mercado chinês. O S&P 500 reúne grandes empresas americanas de diferentes setores, enquanto a Nasdaq oferece exposição relevante a companhias de tecnologia e crescimento. Já os ETFs ligados à China permitem diversificar geograficamente a carteira para além dos mercados brasileiro e americano. Vasques destacou que os ETFs podem funcionar como componentes de uma carteira mais ampla, permitindo combinar exposições a diferentes mercados e classes de ativos. Na prática, isso significa que o investidor pode combinar fundos com objetivos diferentes, em vez de depender de um único índice ou mercado. Um ponto importante na escolha dos ETFs internacionais é a exposição cambial. Nos produtos sem proteção cambial, o retorno em reais é influenciado tanto pelo desempenho dos ativos estrangeiros quanto pela variação do dólar ou de outra moeda relevante. Nos produtos com hedge cambial, busca-se reduzir esse efeito, embora a estratégia também possa envolver custos e diferenças de retorno. Para quem busca diversificação internacional, portanto, não basta escolher entre Brasil e exterior: é preciso entender qual mercado o ETF acompanha e se a exposição cambial faz sentido para a carteira. Como combinar ETFs na carteira? A variedade de ETFs permite montar diferentes combinações de acordo com o perfil e os objetivos de investimento. Quem deseja acompanhar a Bolsa brasileira pode avaliar fundos ligados a índices amplos, enquanto investidores que buscam exposições específicas podem considerar small caps, fatores ou setores. Os ETFs internacionais, por sua vez, permitem distribuir parte dos investimentos entre diferentes economias. A diversificação, entretanto, não depende apenas da quantidade de ETFs na carteira. Dois fundos diferentes podem ter participações relevantes nas mesmas empresas ou estar sujeitos aos mesmos fatores de risco. Por isso, é importante entender as exposições de cada produto antes de combiná-los. Na prática, isso significa definir o papel de cada ETF no portfólio e avaliar como ele se relaciona com os demais ativos. A escolha deve considerar fatores como o horizonte de investimento, a tolerância a perdas e a necessidade de diversificação.

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