Entenda por que Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil para os EUA

O senador Flávio Bolsonaro (PL) chegou a Miami, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira (28), acompanhado de sua esposa e as duas filhas do casal. O parlamentar fugiu do Brasil após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pedir para que ele entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF). A decisão de Moraes aconteceu após Flávio perder as eleições presidenciais no domingo (25) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar da vitória no primeiro turno e de ter liderado as principais pesquisas eleitorais do segundo turno, Flávio conquistou 48,21% dos votos válidos, enquanto Lula foi reeleito com 51,79% dos votos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 23 de outubro, antes do segundo turno das eleições brasileiras, Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio que mora nos EUA desde 2025, disse em uma transmissão nas redes sociais que Flávio deveria deixar o país, caso perdesse a disputa presidencial. Com base nessa fala, Moraes determinou na segunda-feira (26) que o senador entregasse seus passaportes comuns e diplomáticos à Polícia Federal até às 11h de terça-feira (27). Flávio não cumpriu a medida, o que levou ao cancelamento dos seus documentos. A decisão de Moraes foi tomada no âmbito das investigações contra Flávio e o advogado Willer Tomaz por suposta lavagem de dinheiro em um esquema envolvendo casas de apostas. Além disso, Flávio também é formalmente investigado pela Polícia Federal por suspeita de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção envolvendo os repasses financeiros de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro, "Dark Horse". O que Flávio Bolsonaro diz em carta golpista Em uma declaração com teor golpista divulgada após sua chegada aos EUA nesta quarta-feira, Flávio Bolsonaro autoproclamou-se "presidente eleito do Brasil", título que foi mudado para "líder do Brasil" vinte e dois minutos depois. Segundo o TSE, ele foi derrotado por Lula, reeleito presidente com 4,4 milhões de votos a mais que Flávio Bolsonaro nas eleições 2026. Sem provas, Flávio Bolsonaro reclamou de abuso de poder político e econômico por parte da campanha petista, e usou como principal argumento a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de prorrogar por duas horas a votação no domingo. O magistrado acatou pedido do PT que alegou haver problemas no transporte público em alguns Estados. Na declaração, Bolsonaro não menciona que a campanha do PL também pediu prorrogação à Justiça Eleitoral em cidades afetadas por chuvas. Segundo levantamento do TSE, entre 17h e 19h foram computados apenas 34 mil votos. O TSE atestou a lisura do pleito na noite de domingo e, diferentemente do senador, o PL e seu candidato a vice, Alfredo Gaspar, reconheceram a vitória de Lula. Partidos que apoiaram Flávio no segundo turno também reconheceram o resultado da eleição, além de aliados próximos, como o governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na carta, Flávio afirma que não pretendia deixar o país, mas aposta na narrativa de perseguição política e agradece ao presidente da Argentina, Javier Milei, e dos Estados Unidos, Donald Trump. Qual foi o caminho feito por Flávio e sua família? Rumores de que Flávio Bolsonaro teria saído do país com sua família começaram a circular ao longo da terça-feira (27), após o site argentino Infobae afirmar que ele estaria na Argentina para pegar um voo com destino aos EUA e o paradeiro do senador não ser confirmado por aliados. A confirmação de que Flávio estaria fora do país veio durante a madrugada de quarta-feira, por meio da Direção Nacional de Migrações argentina. O órgão federal afirmou que o senador e sua família apresentaram uma documentação válida para a viagem e não tinham nenhum impedimento legal para entrar na Argentina. Segundo o jornal O Globo, Flávio teria usado o passaporte italiano para entrar na Argentina. Ele e sua família teriam cruzado por terra a tríplice fronteira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, antes conhecida como Ponte da Fraternidade, às 22h50, para entrar na província de Misiones, na Argentina, segundo a Direção Nacional de Migrações argentinas. Então, de acordo com essa versão, eles embarcaram em aeronave LV-JQW, um avião particular modelo Gulfstream G400, com destino aos EUA e fizeram uma rota com escala no Equador, para evitar passar pelo espaço aéreo brasileiro. Flávio e sua família desembarcaram no aeroporto executivo Opa-locka, em Miami, às 10h24 desta quarta-feira (28), onde foram recebidos por um policial. Segundo o jornal O Globo, Flávio teria usado o seu passaporte diplomático brasileiro e o seu passaporte italiano para entrar nos Estados Unidos. Ontem, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que permitiria a entrada da família no país e que concederia vistos para todos. Os governos de Donald Trump, nos EUA, Javier Milei, na Argentina, e Daniel Noboa, no Equador, são aliados políticos da família Bolsonaro.

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