A política fiscal do governo brasileiro, em particular com a aproximação do período eleitoral, revela uma estratégia que transcende as regras do arcabouço fiscal vigente, focando em medidas de curto prazo. O novo regime de controle de gastos perdeu credibilidade ao longo do tempo, principalmente pela exclusão de despesas que distorcem a percepção dos déficits. Para impulsionar a reeleição, o Planalto intensificou aportes a fundos que financiam bancos estatais e programas de crédito, além de elevar os 'restos a pagar'. Essas ações de estímulo fiscal ampliam a dívida pública e pressionam a inflação, exigindo uma postura mais rígida do Banco Central. Consequentemente, ativos como o Real (USDBRL) tendem a se depreciar, enquanto os juros futuros (DI) sobem, impactando negativamente ações de empresas sensíveis à taxa de juros, como as do setor de construção (CYRE3, MRVE3). Investidores brasileiros enfrentam um cenário de maior prêmio de risco, com a Selic possivelmente mantida em patamares elevados para combater a pressão inflacionária. Um paralelo histórico pode ser traçado com 2014, quando a expansão fiscal pré-eleitoral resultou em alta inflacionária e subsequente recessão, e 2022, com o aumento de gastos fora das regras fiscais. Os próximos relatórios fiscais e a comunicação do Banco Central serão gatilhos importantes para monitorar, com o horizonte de médio prazo apontando para uma deterioração das contas públicas e desafios para o crescimento sustentável.
Nas próximas 4-6 semanas, o Real (USDBRL) deve permanecer sob pressão, testando a resistência de R$5.20-R$5.25. Os contratos de DI futuro de longo prazo podem registrar novas altas. O principal gatilho de curto prazo será a divulgação dos próximos dados fiscais e a comunicação do Banco Central sobre a inflação e a Selic, com a taxa de juros provavelmente mantida em patamares elevados. A volatilidade no BOVA11 deve persistir até que haja maior clareza sobre o cenário político-fiscal pós-eleitoral.
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