Fundos de crédito no Brasil registram resgates de R$114 bilhões

Fundos de renda fixa focados em crédito no Brasil, monitorados pela Bradesco Asset Management, registraram resgates líquidos de R$114 bilhões no ano até o fim de junho de 2026, com a maior parte concentrada nos meses de abril e maio. Este volume expressivo de saídas, abrangendo desde fundos atrelados ao CDI até os mais arrojados, sinaliza uma crescente percepção de risco de mercado e uma busca por maior liquidez por parte dos investidores. O mecanismo principal é a aversão ao risco de crédito privado, levando à realocação de capital para ativos considerados mais seguros ou com maior potencial de valorização. Consequentemente, bancos como ITUB4 e BBDC4 podem enfrentar pressão sobre suas carteiras de crédito e redução de receitas de gestão de ativos, enquanto FIIs como MXRF11 e HGLG11, com exposição a recebíveis, tornam-se menos atrativos. Para o investidor brasileiro, isso pode significar um realinhamento de carteiras, com potencial valorização do BOVA11 e do USDBRL, além de um movimento para ativos alternativos como o BTC. Um paralelo histórico pode ser traçado com o período de 2015-2016, quando a alta da Selic e a incerteza econômica também impulsionaram aversão a risco e resgates em massa de fundos de crédito, resultando em aumento do custo de dívida corporativa. O próximo gatilho a monitorar será a divulgação de novos dados de inflação e a próxima decisão de juros, que podem influenciar a percepção de risco e o custo de capital. No médio prazo, se a Selic iniciar um ciclo de cortes, parte desses recursos pode retornar ao crédito, mas o prêmio de risco deve permanecer elevado.

Análise

Nas próximas 4-8 semanas, espera-se que a aversão a risco no crédito persista, mantendo a pressão sobre fundos de renda fixa e FIIs. O BOVA11 e o USDBRL devem continuar a ser destinos para o capital realocado. O principal gatilho para uma mudança de cenário seria uma sinalização clara de arrefecimento da inflação e um corte de juros pelo Banco Central, que poderia aliviar o custo de capital e a pressão sobre o crédito. No entanto, se a situação se agravar, com mais resgates ou notícias de defaults, o mercado pode entrar em um ciclo de spreads mais abertos, com impacto negativo prolongado em bancos e FIIs.

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