O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, parecia destinado a perder o poder nas eleições desta terça-feira no país, mas a disputa fica cada vez mais acirrada à medida que a votação se aproxima, sem que seus adversários tenham um caminho claro para chegar ao governo. Os eleitores votarão amanhã nos partidos, e as cadeiras no Parlamento israelense, o Knesset, serão distribuídas entre os candidatos das listas partidárias, de acordo com o sistema de representação proporcional. A seguir, detalhes sobre alguns dos principais candidatos na primeira eleição parlamentar de Israel desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2003, que mergulhou o Oriente Médio em uma crise, levando Israel a entrar em guerra no Líbano e na Faixa de Gaza, além de lançar ataques aéreos contra o Irã. Benjamin Netanyahu No poder durante a maior parte do período desde 2009, após um primeiro mandato como primeiro-ministro na década de 1990, Netanyahu se tornou a principal figura de Israel no exterior e uma personalidade polarizadora dentro do país. Seus apoiadores o aclamam como "rei Bibi" e o veem como o líder forte de que Israel precisa para se defender em uma região hostil. Mas, procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por supostos crimes de guerra em Gaza, acusações que rejeita, e submetido a julgamento em Israel em um caso de corrupção, que também nega, Netanyahu luta por sua sobrevivência política. As pesquisas de opinião apontam para uma queda acentuada no apoio a seu partido, o Likud, desde o ataque de 7 de outubro, que abalou a reputação de Netanyahu na área de segurança. As políticas de seu governo em questões relacionadas à religião e ao Estado também são impopulares entre muitos israelenses. Mas Netanyahu, de 77 anos, é um político com grande capacidade de sobrevivência. Ele afirmou que deseja formar um governo de "ampla união nacional" após as eleições, caso vença. Em caso de impasse, poderá permanecer como primeiro-ministro interino por muitos meses. Netanyahu discursa durante um evento de confraternização promovido por seu partido, o Likud, em Tel Aviv REUTERS/Amir Cohen Principais adversários Gadi Eisenkot: Ex-chefe das forças armadas que perdeu um filho em combate em Gaza, Eisenkot, de 66 anos, procurou projetar uma imagem de alguém de fora da política tradicional, de militar e de defensor de uma linha-dura em questões de segurança. Sua origem humilde e os sacrifícios de sua família contrastam fortemente com as décadas de Netanyahu em altos cargos públicos e os processos de corrupção que ainda enfrenta. Ele lidera um novo partido de centro chamado Yashar, palavra hebraica que significa "correto" ou "honesto". Naftali Bennett: Ex-primeiro-ministro, o político de direita, de 54 anos, que também é ex-integrante de uma unidade de comandos militares, ex-assessor de Netanyahu e milionário do setor de tecnologia, uniu forças com o também ex-premiê Yair Lapid, de centro. O novo partido dos dois se chama Juntos e concentra seu discurso na recuperação de uma nação traumatizada e na retomada do rumo do país. A aliança entre os dois, apesar de pertencerem a campos opostos do espectro político, tirou Netanyahu do poder nas eleições de 2021. Avigdor Lieberman: Ex-ministro de Defesa, Lieberman, de 68 anos, já foi um aliado próximo de Netanyahu. Defensor de posições ainda mais linha-dura do que seu antigo chefe, Lieberman deixou o governo de Netanyahu em 2018, acusando o primeiro-ministro de ser brando demais com militantes palestinos em Gaza, e se tornou um de seus críticos mais contundentes. Seu partido, Israel Nossa Casa, recebe grande parte de seu apoio da comunidade de imigrantes oriundos da antiga União Soviética. Yair Golan: Ex-general e elogiado por resgatar pessoas de um dos locais atacados pelo Hamas em 2003, Golan, de 64 anos, lidera o partido Os Democratas, criado a partir do que restou do histórico Partido Trabalhista de Israel, então em declínio, e do Meretz, uma legenda menor de esquerda. Naftali Bennett, ex-premiê de Israel, em evento de campanha Amir Cohen/Reuters Aliados de Netanyahu O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, de 46 anos, e o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, de 50 anos, têm sido alvo de intenso escrutínio internacional por suas políticas de extrema direita em relação aos palestinos. Smotrich liderou a rápida expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, expressando a esperança de que isso pudesse "enterrar" a ideia de um Estado palestino. Ben-Gvir, condenado em 2007 por incitação racista contra árabes, defendeu a pena de morte para militantes palestinos condenados, endureceu as condições de encarceramento dos palestinos presos e facilitou o acesso dos israelenses a armas de fogo. Os dois defenderam a expulsão dos palestinos da Faixa de Gaza e a retomada dos assentamentos israelenses no território. Ultraortodoxos Netanyahu depende há anos de dois partidos judaicos ultraortodoxos, o Judaísmo Unido da Torá e o Shas, para sua sobrevivência política. As exigências dessas legendas para que suas comunidades sejam amplamente isentas do serviço militar obrigatório, somadas à baixa participação de seus integrantes no mercado de trabalho e à dependência de benefícios estatais, provocaram indignação entre muitos israelenses, sobretudo em tempos de guerra. Possíveis peças-chave Partidos que não estão claramente alinhados a nenhum dos lados poderão pender a balança a favor de Netanyahu ou de seus adversários. Entre eles estão o Raam e a Lista Conjunta, dois partidos que representam a minoria árabe de Israel, correspondente a 20% da população. Também estão nesse grupo um novo partido de direita chamado Povo de Israel e uma legenda de centro-direita chamada Os Reservistas, ambos com desempenho oscilante nas pesquisas de opinião.
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