Os gastos com construção nos Estados Unidos registraram uma queda de 0,5% em julho frente a junho, totalizando US$ 2,157 trilhões, conforme divulgado pelo Departamento do Comércio. Este resultado surpreendeu o mercado, que projetava estabilidade, e representa uma desaceleração significativa em relação aos US$ 2,167 trilhões revisados de junho. Além disso, o volume de julho ficou 3,8% abaixo do observado no mesmo período de 2025, sinalizando uma contração prolongada no setor. Economicamente, a retração nos gastos com construção é um indicador de fraqueza na demanda agregada e no investimento, impactando diretamente o PIB e a inflação de materiais. Consequentemente, empresas ligadas à infraestrutura e materiais de construção, como CAT e MLM, podem enfrentar pressão em suas receitas e margens. Para o investidor brasileiro, uma desaceleração nos EUA pode gerar aversão ao risco global, afetando o fluxo de capital para emergentes e, indiretamente, o câmbio (USDBRL) e o Ibovespa. Historicamente, períodos de contração nos gastos com construção precederam ou acompanharam desacelerações econômicas mais amplas, como a vista em 2007-2008, embora em magnitude diferente. O próximo payroll e a reunião do FOMC em setembro serão cruciais para confirmar a tendência de desaceleração e a resposta do Fed. No médio prazo, se a fraqueza persistir, o Fed poderá ser forçado a adotar uma postura mais dovish, o que beneficiaria ativos sensíveis a juros.
Nas próximas 24-72 horas, espera-se que o mercado reaja com cautela, pressionando os futuros de índices acionários e fortalecendo os títulos do Tesouro. No médio prazo (1-4 semanas), o foco estará nos próximos dados macroeconômicos, como o payroll em 04/09 e a decisão do FOMC em 16/09. Se esses eventos reforçarem a narrativa de desaceleração, o Fed pode sinalizar uma postura mais dovish, o que poderia levar a uma valorização mais acentuada dos ativos de renda fixa e uma rotação para setores defensivos.
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