Juros menores podem acrescentar R$ 4,9 bilhões aos lucros das empresas da Bolsa; entenda

Juros menores podem acrescentar R$ 4,9 bilhões aos lucros das empresas da Bolsa; entenda A perspectiva de queda dos juros no Brasil pode trazer um alívio significativo para os balanços das empresas listadas na Bolsa, com efeitos diretos sobre a rentabilidade. Segundo estudo do Itaú BBA, uma redução de 1 ponto percentual nos custos das dívidas atreladas ao CDI e ao IPCA poderia acrescentar R$ 4,9 bilhões ao lucro líquido projetado para 2027 das companhias do IBrX. O impacto seria mais expressivo entre as empresas voltadas ao mercado doméstico, que concentram maior sensibilidade às condições de financiamento no país. O valor representa um incremento de 0,9% sobre os R$ 541,5 bilhões em lucros projetados pelo banco para as empresas do índice. Entre as companhias mais voltadas ao mercado doméstico, o impacto seria aproximadamente três vezes maior, chegando a 2,8%. A análise, divulgada na segunda-feira (19), foi elaborada por Daniel Gewehr, Matheus Marques e Raphael Matutani, do Itaú BBA, e considera o efeito da redução dos custos financeiros sobre o endividamento das companhias, já descontados impostos e rendimentos sobre o caixa. Como a queda dos juros pode aumentar os lucros? O levantamento identificou aproximadamente R$ 742 bilhões em exposição líquida a dívidas domésticas vinculadas ao CDI e ao IPCA, excluindo financiamentos prefixados. Desse total, cerca de R$ 528 bilhões estão relacionados ao CDI, enquanto R$ 214 bilhões correspondem a obrigações atreladas ao IPCA. Segundo o Itaú BBA, a maior parte do benefício viria do CDI. Uma redução de 1 ponto percentual nos custos dessas dívidas acrescentaria R$ 3,5 bilhões ao lucro líquido das companhias. Já uma queda equivalente nas taxas reais das obrigações vinculadas ao IPCA representaria outros R$ 1,4 bilhão. Em um cenário de cortes mais expressivos, de 3 pontos percentuais no CDI e 1,5 ponto nas taxas reais, o ganho poderia alcançar R$ 12,6 bilhões, equivalente a 2,3% do lucro projetado para o índice. O cálculo considera a transmissão integral das reduções aos custos das dívidas ao longo de 12 meses. Portanto, não representa um efeito automático de um corte equivalente na Selic. Quais setores seriam mais beneficiados? Entre os setores analisados, energia elétrica e saneamento concentram a maior parte dos ganhos potenciais. Segundo o Itaú BBA, uma redução de 1 ponto percentual nos custos financeiros poderia acrescentar R$ 2,3 bilhões ao lucro dessas companhias, crescimento de 4,6%. O valor representa aproximadamente 47% de todo o benefício calculado para as empresas do IBrX. Na indústria, a economia financeira chegaria a R$ 834,5 milhões, equivalente a um aumento de 4,3% no lucro. Já o setor de saúde teria um ganho de R$ 355 milhões, ou 3,9%. O impacto varia conforme o tamanho do endividamento e a capacidade de geração de resultados de cada companhia. Empresas com dívidas elevadas em relação ao lucro tendem a apresentar ganhos proporcionalmente maiores. É o caso da Simpar (SIMH3), que lidera o levantamento em sensibilidade dos lucros. Segundo o banco, uma redução de 1 ponto percentual nos custos considerados poderia elevar seu resultado projetado para 2027 em 39,5%. Também aparecem entre as maiores beneficiadas Cosan (CSAN3), com aumento potencial de 30,4%; MBRF (MBRF3), com 28,2%; Minerva (BEEF3), com 25,7%; e EcoRodovias (ECOR3), com 24,7%. Os percentuais representam impactos simulados sobre os lucros, não expectativas de valorização das ações. Nem todas as empresas ganham com juros menores Apesar do benefício estimado, o Itaú BBA destaca que a redução dos custos financeiros não favorece todas as companhias da mesma maneira. Isso ocorre porque empresas com recursos aplicados também passam a receber menos rendimentos quando as taxas recuam, compensando parte da economia obtida com suas dívidas. No setor de serviços de comunicação, por exemplo, o impacto calculado é ligeiramente negativo, de 0,24%, porque a perda de receitas financeiras supera a redução das despesas. Por isso, a análise considera não apenas o endividamento bruto, mas também o caixa disponível e sua relação com os resultados projetados. “O que determina o ganho é a dívida local em relação ao lucro, e não sua participação na dívida total”, explicam os analistas Daniel Gewehr, Matheus Marques e Raphael Matutani, do Itaú BBA, em trecho traduzido do relatório sobre os efeitos da queda dos juros.

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