Klabin (KLBN11) pode decepcionar no 3T26? Safra prevê resultado 11% abaixo do esperado A Klabin (KLBN11) pode frustrar as expectativas do mercado no terceiro trimestre de 2026. Segundo projeções divulgadas pelo Banco Safra nesta segunda-feira (19), a companhia deve registrar um Ebitda de aproximadamente R$ 1,86 bilhão, resultado 11% inferior ao consenso de analistas, estimado em R$ 2,08 bilhões. O desempenho deve ser pressionado pela combinação de preços menores da celulose e aumento dos custos operacionais. Na comparação com o segundo trimestre, a estimativa representa uma queda de 1% no Ebitda. O recuo pode ocorrer mesmo com a expectativa de crescimento no volume de vendas, indicando que a melhora dos embarques não deve ser suficiente para compensar a pressão sobre as margens da companhia. A prévia do Safra aponta ainda para uma temporada de balanços desigual no setor de papel e celulose. Enquanto Suzano (SUZB3) e Dexco (DXCO3) devem apresentar avanços em seus resultados operacionais, Klabin e CMPC tendem a registrar números mais fracos. Por que o resultado da Klabin pode ficar abaixo do esperado? O principal desafio da Klabin no trimestre deve ser a rentabilidade. De acordo com o Safra, a companhia deve comercializar aproximadamente 1,04 milhão de toneladas, excluindo madeira, um crescimento de 2% em relação ao trimestre anterior. Desse total, os embarques de celulose devem alcançar 396 mil toneladas, enquanto as vendas de papel e embalagens estão estimadas em 204 mil e 280 mil toneladas, respectivamente. A sazonalidade favorável deve beneficiar especialmente a comercialização de cartão revestido. O banco também espera volumes maiores de caixas de papelão ondulado, contribuindo para o desempenho do segmento de embalagens. Entretanto, o crescimento das vendas deve encontrar obstáculos do lado dos custos. A parada de manutenção na unidade de Otacílio Costa, em Santa Catarina, deve elevar as despesas operacionais, somando-se aos maiores gastos florestais e às medidas preventivas relacionadas ao fenômeno climático El Niño. Com isso, o Safra projeta um custo caixa total de R$ 3.312 por tonelada. Já o Ebitda por tonelada deve recuar 7%, para R$ 1.791, evidenciando a perda de rentabilidade esperada para o período. Suzano deve seguir caminho oposto no terceiro trimestre Enquanto a Klabin enfrenta perspectivas de margens mais pressionadas, a Suzano deve apresentar um avanço expressivo em seu resultado operacional. O Safra projeta Ebitda de aproximadamente R$ 6 bilhões para a Suzano no terceiro trimestre, crescimento de 26% em relação ao período anterior. O valor também supera em 3% o consenso de mercado, estimado em R$ 5,8 bilhões. Grande parte dessa melhora deve vir da consolidação da Arbex e do desempenho do segmento de papel e bens de consumo, cujo Ebitda está projetado em R$ 1,3 bilhão, mais que o dobro do registrado no trimestre anterior. Por outro lado, a divisão de celulose deve apresentar retração de 8% no Ebitda, para aproximadamente R$ 4,8 bilhões. Apesar da expectativa de aumento de 4% nos embarques, para 3 milhões de toneladas, os preços realizados menores devem limitar o desempenho. O banco estima um preço médio de US$ 589 por tonelada de celulose, queda de 2% na comparação trimestral. Como ficam as outras empresas de papel e celulose? A prévia do Safra também aponta para uma recuperação dos resultados da Dexco, enquanto a chilena CMPC deve enfrentar dificuldades semelhantes às projetadas para a Klabin. Para a Dexco, a expectativa é de Ebitda ajustado de R$ 576 milhões, alta de 16% em relação ao segundo trimestre. O resultado, contudo, ainda ficaria 6% abaixo do consenso de mercado, de R$ 611 milhões. O desempenho deve ser impulsionado principalmente pela divisão de madeira, com Ebitda projetado de R$ 522 milhões. Segundo o banco, preços realizados 2% maiores e crescimento de 3% nos embarques devem contribuir para a recuperação operacional. Já a CMPC deve registrar Ebitda ajustado de US$ 265 milhões, recuo de 2% na comparação trimestral e resultado 13% inferior às expectativas do mercado. A principal pressão deve vir do negócio de celulose, que enfrenta perspectivas de preços realizados menores, mesmo com o aumento dos volumes comercializados. Na avaliação do Safra, as diferenças entre as companhias refletem a combinação de preços internacionais, custos operacionais e características específicas de cada negócio. Para a Klabin, a expectativa de volumes maiores, acompanhados de uma queda de 7% no Ebitda por tonelada, reforça a pressão sobre a rentabilidade no terceiro trimestre.
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