O governo da Holanda anunciou que pretende colocar até US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), mecanismo financeiro para remunerar os países em desenvolvimento que preservam suas florestas tropicais. A proposta foi apresentada ao Parlamento holandês nesta segunda-feira (26) e deve ser anunciada oficialmente durante a COP31, que começa em duas semanas na Turquia. Com o apoio, o volume de recursos do TFFF chega a US$ 7,8 bilhões em compromissos firmados por Brasil, Indonésia, Noruega, Alemanha, França, Portugal, Luxemburgo e Reino Unido. A meta é chegar em US$ 10 bilhões até a conferência do clima. A Holanda já tinha contribuído com US$ 5 milhões para cobrir gastos da estrutura do TFFF. Os US$ 500 milhões de agora são um aporte de capital para o fundo de investimentos que será o “motor financeiro” da iniciativa (o TFIF, na sigla em inglês). Esse fundo usa uma estrutura de finanças mistas, ou blended finance, que prevê US$ 25 bilhões em capital inicial de países e instituições filantrópicas para atrair outros US$ 100 bilhões do setor privado. Leia aqui um guia para entender o TFFF. “Com este compromisso, oferecemos aos países um incentivo forte e previsível para proteger e preservar suas florestas tropicais”, afirmou Sjoerd Sjoerdsma, ministro do Comércio Exterior e Cooperação para o Desenvolvimento dos Países Baixos, em nota. O governo afirma em sua carta ao Parlamento que investidores institucionais holandeses manifestaram interesse em investir no instrumento. Segundo o ministro, o compromisso também fortalece a atuação internacional dos Países Baixos no combate às mudanças climáticas, por meio de parcerias entre países. “Reforçamos as ambições holandesas de alcançar as metas climáticas do Acordo de Paris.” O desembolso, previsto para ocorrer ao longo de dez anos, depende de condições como a robustez do fundo, seu enquadramento como ajuda oficial ao desenvolvimento (ODA) e o escalonamento do desembolso. Efeito Lula O anúncio foi feito um dia após Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República. A Holanda era um dos cinco países que aguardavam o resultado da eleição presidencial brasileira para anunciar possíveis aportes ao TFFF, como mostrou o Reset em agosto. Apesar de ser um fundo com governança própria e gestão do Banco Mundial, a iniciativa é associada à imagem do governo do presidente Lula. O Brasil apresentou a ideia na COP28, em Dubai, há quase três anos, e o fundo foi oficialmente lançado na COP30, realizada em Belém, no ano passado. O primeiro-ministro holandês, Rob Jetten, parabenizou Lula pela vitória eleitoral deste domingo (25). “Estamos ansiosos para continuar nossa excelente colaboração, entre outros, nos campos de segurança, comércio e clima”, escreveu no X. Jetten também foi ministro do Clima e da Energia da Holanda. Os potenciais novos investidores são China, Japão, Coreia do Sul e Canadá. Há também a expectativa de que a Alemanha anuncie um aporte adicional. Neste mês, o TFFF recebeu uma declaração de apoio de investidores institucionais que representam cerca de € 10 trilhões em ativos sob gestão, com o objetivo de aumentar a confiança do mercado no mecanismo. O post Holanda anuncia aporte de US$ 500 mi ao TFFF um dia após reeleição de Lula apareceu primeiro em Reset.
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