O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano na última quarta-feira, 4, pondo fim a um ciclo de cortes iniciado em março. A decisão, unânime, veio após a piora do cenário de inflação no Brasil e no exterior, além de preocupações com a política fiscal e a desvalorização do real, fatores que exigem cautela, segundo o colegiado. O BC classificou a taxa atual como "substancialmente contracionista" e indicou que acompanhará indicadores e expectativas de inflação para definir os próximos passos. Contudo, o encarecimento do crédito imobiliário já se manifestou antes da decisão do Copom. Na segunda-feira, 26, o Bradesco (BBDC4) elevou sua taxa mínima de financiamento imobiliário de 11,69% para 15% ao ano, além da Taxa Referencial (TR), um aumento de 3,3 pontos percentuais. Com isso, os três maiores bancos privados – Itaú (ITUB4), Bradesco e Santander (SANB11) – passaram a cobrar acima de 12% ao ano, limite do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). As operações agora migram para o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), que possui taxas livres e impede o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na compra. De janeiro a agosto, Itaú, Bradesco e Santander foram responsáveis por 49,2% dos R$ 132,5 bilhões concedidos em crédito imobiliário com recursos da poupança, conforme a Abecip, enquanto a Caixa detém 48,6% do mercado. Peixoto Accyoli, CEO da RE/MAX Brasil, e Ronal Balena, CEO da MySide, atribuem os reajustes ao custo de captação dos bancos e à curva de juros futuros, e não apenas à Selic.
A definição do desfecho dependerá da evolução dos indicadores de inflação, tanto no Brasil quanto no exterior, e da clareza sobre a política fiscal brasileira. O Copom indicou que acompanhará esses dados antes de definir os próximos passos na política monetária. A próxima reunião do Copom será crucial para reavaliar a direção da Selic e seu impacto gradual no custo do crédito.
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