A Cosan (CSAN3), conglomerado controlado pelo empresário Rubens Ometto, decidiu concentrar esforços na venda de uma participação minoritária na Compass (PASS3), empresa de distribuição de gás natural que controla a Comgás, após o esfriamento das negociações para alienar uma fatia da Rumo (RAIL3). As informações são do UOL, em reportagem publicada nesta terça-feira (20). Segundo a publicação, as conversas para a venda de uma participação na Compass estão avançadas. A expectativa seria negociar cerca de 20% da companhia com um investidor estrangeiro, em uma operação de aporte privado conhecida no mercado como private placement. A Compass é considerada um dos ativos mais estratégicos do grupo de Ometto e tem valor de mercado estimado em aproximadamente R$ 20,37 bilhões. Nesse cenário, a venda de uma fatia de 20% poderia levantar cerca de R$ 4 bilhões, considerando a avaliação atual, além de um eventual prêmio a ser negociado. Atualmente, a dívida da holding é de R$ 9,2 bilhões (2º trimestre de 2026). Na manhã desta terça-feira (20), por volta de 10h48, as ações da Cosan, Rumo e Compass avançavam 3,91%, 2,96% e 3,15% respectivamente. Antes de direcionar os esforços para a empresa de gás, a Cosan tentava vender uma participação de 15% na Rumo, operadora de ferrovias com papel relevante no escoamento da produção do agronegócio. A Cosan detém aproximadamente 20% da companhia, avaliada em cerca de R$ 34 bilhões na Bolsa. Cosan (CSAN3) aprova transferência de 20,33% da Rumo (RAIL3) para fundo de investimento De acordo com fontes ouvidas pelo UOL, as negociações envolvendo a Rumo atraíram interessados como a Bunge e a chinesa Cofco, mas acabaram perdendo força. As exigências apresentadas pela Cosan e pelo BTG Pactual, sócio do grupo desde o fim de 2025, teriam desestimulado potenciais compradores, segundo a reportagem. Reestruturação financeira A tentativa de venda de ativos ocorre em meio ao processo de reestruturação financeira da Cosan. O grupo busca reduzir seu endividamento e vem se desfazendo de participações e outros ativos nos últimos meses. Entre os principais desafios está a situação da Raízen (RAIZ4), joint venture de Cosan e Shell, com participações iguais de 50%. A companhia enfrenta um processo de recuperação extrajudicial envolvendo dívidas da ordem de R$ 65 bilhões. A reestruturação prevê a diluição da participação da Cosan, enquanto a Shell deverá dividir o controle econômico da companhia com credores, nos termos da operação. Nos últimos meses, o conglomerado também vendeu ativos que somam cerca de R$ 15 bilhões, incluindo participações em empresas, operações ligadas à Raízen, terras agrícolas e uma refinaria na Argentina. Outro movimento relevante foi a saída do investimento na Vale. A Cosan havia adquirido uma participação de aproximadamente 5% na mineradora no fim de 2022 e vendeu sua posição em janeiro de 2025 por cerca de R$ 9 bilhões, em uma operação que marcou o encerramento de uma aposta estratégica que gerou atritos com o governo federal.
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