Foto: Pixabay Fibras extraídas da polpa de pitanga e cambuci reduziram em até 90% a viabilidade de células de câncer colorretal em testes de laboratório conduzidos por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News! Os resultados fazem parte de um projeto do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Alimentos Funcionais (INCT FoRC), que investiga o potencial de frutas nativas brasileiras para o desenvolvimento de novos ingredientes alimentícios. Nos experimentos, as fibras da pitanga provocaram reduções de 20% a 90% na viabilidade das células cancerígenas. No caso do cambuci, a diminuição variou de 20% a 60%, em comparação com células que não receberam tratamento. Os resultados, no entanto, são preliminares e ainda não foram publicados em revista científica. Os testes foram realizados exclusivamente em culturas celulares, sem experimentos em animais ou seres humanos. Portanto, não há evidências de que o consumo dessas frutas previna ou trate o câncer. Como as frutas foram testadas? Coordenado pelo professor João Paulo Fabi, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP (FCF-USP), o estudo analisou fibras solúveis presentes nos dois frutos, especialmente as pectinas, substâncias que contribuem para a firmeza da polpa. Os pesquisadores identificaram que o cambuci possui uma fração de fibras predominantemente formada por pectinas. Já a pitanga apresenta uma combinação de pectinas e hemiceluloses, outro grupo de fibras vegetais. Para avaliar especificamente a ação dessas fibras, a equipe retirou das amostras outros compostos, como fenólicos e carotenoides, que também podem apresentar atividade biológica. As células de câncer colorretal foram expostas a três concentrações das fibras: 0,1%, 0,25% e 0,5%. Os efeitos foram analisados após 24, 48 e 72 horas.Segundo Fabi, as reduções observadas foram estatisticamente significativas. Na pitanga, quanto maior a concentração de fibras e o tempo de exposição, menor foi a viabilidade das células cancerígenas. O cambuci também apresentou efeito, mas sem a mesma relação entre concentração, tempo e resposta. Os pesquisadores ainda compararam os resultados com os de pectinas cítricas integrais, que não provocaram redução da viabilidade celular nas mesmas condições experimentais. A diferença sugere que a atividade biológica pode estar relacionada não apenas à quantidade de fibras, mas também às características de sua composição e estrutura. Próxima etapa será investigar como as fibras agem Os pesquisadores ainda precisam identificar o mecanismo responsável pela redução da viabilidade das células cancerígenas. Uma das hipóteses é que as fibras possam estimular a apoptose, processo conhecido como morte celular programada. Outra possibilidade é que interfiram no ciclo celular, impedindo a multiplicação das células. “Nós vamos estudar se essa diminuição de viabilidade se deu por uma indução de apoptose ou por uma parada no ciclo celular”, explica Fabi. A equipe pretende avançar para novos testes pré-clínicos, inicialmente em culturas celulares e, posteriormente, em animais. A expectativa do pesquisador é que essa etapa seja aprofundada ao longo dos próximos dois a três anos. Outra frente de investigação envolve a interação das fibras com a microbiota intestinal, conjunto de microrganismos que vivem no intestino e participam de processos relacionados à digestão e à saúde. Os cientistas também pretendem analisar como diferenças na composição e na solubilidade das fibras influenciam sua fermentação pelas bactérias intestinais. Além da pitanga e do cambuci, o grupo planeja incluir a uvaia em futuras pesquisas. Pesquisa pode ampliar aproveitamento de frutas brasileiras Além dos possíveis efeitos biológicos, o projeto busca identificar novas formas de aproveitamento da biodiversidade brasileira pela indústria de alimentos. Os resultados poderão contribuir para o desenvolvimento de ingredientes alimentícios obtidos a partir de diferentes componentes das frutas, inclusive frações que permanecem após processos de extração. Essa possibilidade é especialmente importante para a pitanga e o cambuci, que apresentam vida útil curta após a colheita e precisam ser colhidos maduros. Como os frutos não continuam amadurecendo depois de retirados das plantas, a comercialização exige rapidez. O congelamento é uma das alternativas utilizadas para ampliar sua conservação. Atualmente, essas frutas podem ser aproveitadas na fabricação de polpas, sucos, sorvetes e picolés. Com o avanço das pesquisas, processos de secagem e extração poderão ampliar as possibilidades de utilização na indústria alimentícia. Resultados também podem beneficiar produtores rurais As informações obtidas sobre a composição química e as propriedades das frutas também poderão apoiar pesquisas voltadas à produção agrícola. Uma das frentes do INCT FoRC trabalha diretamente com produtores rurais e cadeias produtivas para desenvolver conhecimentos relacionados à qualidade e ao aproveitamento de matérias-primas vegetais. Nesse contexto, os estudos poderão contribuir para o aprimoramento de práticas de amadurecimento, colheita e conservação da pitanga e do cambuci. A expectativa é que o conhecimento sobre esses frutos ajude a reduzir perdas após a colheita e ampliar as possibilidades de agregação de valor à produção, embora essas aplicações ainda dependam de pesquisas e desenvolvimento tecnológico. O post Pesquisa da USP mostra que fibras de pitanga e cambuci podem combater células cancerígenas apareceu primeiro em Canal Rural.
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