A um mês do aniversário de um ano da COP30 em Belém, no Pará, a Amazônia enfrenta um aumento nas queimadas, apesar de uma redução histórica no desmatamento. O Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) do Inpe reportou uma queda de 42% no desmatamento na Amazônia Legal e de 23,8% no Cerrado para o período de 1 de agosto de 2025 a 31 de julho de 2026. Na Amazônia, o desmatamento somou 3.355 km2, o menor valor desde o início do levantamento em 1988, enquanto no Cerrado foi de 5.516 km2, o menor desde 2013. O governo atribuiu essa queda à intensificação da fiscalização e à retomada do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) em 2023. No entanto, o Programa Queimadas do Inpe registrou um salto nos focos de incêndio: 9.899 novos focos em outubro de 2026 até o dia 16, um aumento de 25,6% em relação ao mesmo período de 2025 (7.868 focos). No acumulado do ano, foram 39.479 novos focos, 62% acima de 2025. O Pará concentrou 45% desses focos, com aumento de 127%, e o Amazonas, 20,5%, com alta de 115%. A fumaça resultante das queimadas, inclusive de municípios como Autazes e Itacoatiara, cobriu Manaus, levando à suspensão de aulas e à recomendação da Defesa Civil para uso de máscaras. A Força Aérea Brasileira (FAB) enviou aviões e reforçou equipes para combater as chamas. Especialistas do Greenpeace sugerem que muitos incêndios ocorrem em áreas sem registro fundiário, indicando grilagem. Apesar do aumento recente, os focos de incêndio estão 12% abaixo da média histórica do Inpe e 67% inferiores aos 23.475 focos de 2024, ano de El Niño severo. Contudo, a análise do Observatório do Clima indica que 68,9% dos novos parlamentares eleitos possuem baixa convergência ambiental, o que pode dificultar a aprovação de pautas ambientais e favorecer um projeto de lei que visa a reduzir o poder de fiscalização por satélite.
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