Veja os cenários para Israel sair do impasse eleitoral e formar um novo governo

A eleição realizada nesta semana em Israel terminou sem um resultado conclusivo, e não há um vencedor claro em condições de formar um governo. Benjamin Netanyahu permanece no cargo como primeiro-ministro interino, mas enfrenta um Parlamento no qual a oposição detém a maioria e busca tirá-lo do poder. Veja alguns cenários possíveis: Nova eleição Após a divulgação dos resultados oficiais definitivos da eleição, na próxima semana, o presidente de Israel, Isaac Herzog, iniciará consultas com representantes dos partidos e, em seguida, escolherá o candidato que considerar ter as melhores chances de formar um governo. Se esse candidato fracassar, outro poderá tentar e, caso também não consiga, a Knesset, o Parlamento israelense, poderá indicar um terceiro nome. O processo tem um prazo de aproximadamente 100 dias. Se ninguém conseguir formar um governo, uma nova eleição será realizada. Herzog afirmou na quarta-feira que todos os esforços devem ser feitos para evitar outra eleição e pediu aos partidos que participem das consultas com ele de maneira aberta ao diálogo. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fala com a imprensa após votar em uma seção eleitoral em Jerusalém Jewel Samad/Pool via Reuters Governo de união O Likud, partido de Netanyahu, que emergiu como a maior legenda da Knesset, formaria uma coalizão que provavelmente incluiria partidos de oposição de centro e de direita, como o Yashar, de Gadi Eisenkot, segunda maior legenda; o Israel Nosso Lar, de Avigdor Lieberman; e o Juntos, de Naftali Bennett. Essa aliança garantiria 66 cadeiras, uma maioria no Parlamento de 120 assentos. No entanto, essa possibilidade parece remota neste momento, porque significaria que Netanyahu provavelmente teria de abandonar seus aliados políticos naturais, os partidos de extrema direita e os partidos judaicos ultraortodoxos. Além disso, as legendas de oposição teriam de descumprir sua principal promessa eleitoral aos eleitores: tirar Netanyahu do poder. Ainda assim, se nenhum dos dois campos conseguir formar um governo após semanas de negociações prolongadas, um governo de união poderá surgir como última alternativa. Uma retomada dos combates contra o Irã, ou contra outros adversários, também poderia aproximar os dois lados. Governo minoritário de Eisenkot Se Herzog escolher Eisenkot primeiro, ele poderá tentar formar um governo com os aliados naturais do Yashar — Juntos, Os Democratas e Israel Nosso Lar —, sustentado pelos dois partidos árabes de Israel, mesmo que eles não integrem o governo: Ra'am e Lista Conjunta. O campo de Eisenkot teria 48 cadeiras, segundo a apuração mais recente, enquanto os partidos árabes somariam 19 assentos, chegando juntos a uma maioria de 67 cadeiras. Mas, mesmo que Eisenkot volte atrás em sua promessa de campanha de não incluir partidos árabes no governo e aceite seu apoio, seria difícil convencer muitos israelenses, cujas atitudes em relação à minoria árabe de Israel se tornaram ainda mais rígidas desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Netanyahu concentrou sua campanha em deslegitimar o apoio dos partidos árabes, que alcançaram uma representação recorde na eleição de terça-feira. Por enquanto, apenas Os Democratas, partido de centro-esquerda, defendeu publicamente a inclusão dessas legendas. Os dois partidos árabes sinalizaram estar dispostos a cooperar com o campo de Eisenkot. O Ra'am integrou o governo de Bennett em 2021, a primeira vez que um partido árabe independente participou de uma coalizão israelense. Aquele governo entrou em colapso após 18 meses. O ex-chefe das Forças Armadas de Israel e líder do partido Yashar, Gadi Eisenkot REUTERS/Amir Cohen Netanyahu consegue maioria para um governo de direita A coalizão de Netanyahu caiu de suas 64 cadeiras originais para 53, segundo os resultados eleitorais mais recentes. Mas o líder que permaneceu por mais tempo no comando de Israel é considerado um dos políticos mais habilidosos do país e poderia dividir a oposição, atraindo integrantes de seus partidos para o próprio campo. Ele já conseguiu fazer isso anteriormente, inclusive quando liderava a oposição, no período que antecedeu a eleição de 2022, que venceu. Mas a coalizão que enfrentava naquela época tinha uma vantagem muito menor, e ele não precisou atrair tantos dissidentes para desestabilizar seus adversários políticos.

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