A produção industrial brasileira recuou 0,2% em maio frente a abril, conforme divulgado pelo IBGE na sexta-feira (3), contrariando a mediana das estimativas do mercado de alta de 0,3%. Este resultado representa a primeira queda após quatro elevações consecutivas e é o pior desempenho do ano, além de ser o recuo mais forte desde dezembro do ano passado (-1,9%). A desaceleração da atividade industrial impacta diretamente a demanda por bens de capital e insumos, afetando as projeções de receita e lucro para empresas do setor. Consequentemente, ações de companhias como WEGE3, ROMI3 e siderúrgicas como GGBR4 podem enfrentar pressão de baixa, enquanto o BOVA11 tende a refletir o sentimento negativo geral. Em dezembro do ano passado, uma queda similar de 1,9% na produção industrial resultou em revisões de PIB e impactou ações de empresas cíclicas. Os próximos dados de produção industrial para junho e as prévias do PIB serão cruciais para confirmar a tendência, com um cenário de persistência negativa podendo intensificar a pressão por estímulos, mas limitado pelas preocupações com a inflação.
No curto prazo (1-2 semanas), esperamos maior cautela no mercado de ações brasileiro, especialmente para empresas expostas ao ciclo doméstico e industrial, com o BOVA11 testando suportes. O Real (USDBRL) deve permanecer sob pressão de depreciação. No médio prazo (1-2 meses), o foco estará nos próximos dados de produção industrial e inflação, que serão gatilhos para redefinir as expectativas sobre a política monetária do Copom e a trajetória da economia.
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