Foto: Ligados & Integrados A identificação do vírus da doença de Newcastle em aves de uma propriedade de Santa Catarina reforçou a importância dos cuidados sanitários para evitar a disseminação da enfermidade nas granjas brasileiras. Altamente contagiosa, a doença pode provocar problemas respiratórios, alterações neurológicas e até a morte das aves, causando prejuízos aos produtores. Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News! Em entrevista ao Mercado & Companhia, o médico-veterinário e mestre em Ciência, Sanidade e Epidemiologia Animal, Marcos Rezende, explicou como identificar os sintomas da doença de Newcastle, de que forma ocorre a transmissão e quais medidas ajudam a proteger os plantéis. Segundo o especialista, um dos principais desafios é que as aves podem carregar o vírus sem apresentar sinais clínicos, o que torna o monitoramento sanitário fundamental para a prevenção. No caso identificado em Santa Catarina, por exemplo, o material genético do vírus foi detectado durante uma fiscalização ativa da Secretaria de Agricultura do estado, embora as aves não apresentassem sintomas. Quais são os sintomas da doença de Newcastle? A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que afeta principalmente os sistemas respiratório, nervoso e digestivo das aves. A gravidade dos sintomas pode variar conforme a cepa do vírus, a imunidade e as condições sanitárias do plantel. De acordo com Rezende, os principais sinais que devem chamar a atenção dos produtores são: Dificuldade para respirar: aves podem apresentar respiração ofegante, tosse e espirros. Alterações neurológicas: dificuldade para caminhar, perda de equilíbrio e movimentos descoordenados. Torcicolo: a ave pode apresentar a cabeça torcida, em uma posição anormal. Queda no desempenho produtivo: redução da produtividade e comprometimento do desenvolvimento dos animais. Mortalidade: em casos graves, a infecção pode provocar mortes no plantel. “Quando a doença de Newcastle acomete as aves, ela pode provocar sinais clínicos nervosos e respiratórios, principalmente respiratórios”, explicou o veterinário. O especialista ressalta que a evolução da enfermidade pode ser rápida, principalmente devido à elevada capacidade de transmissão do vírus. É importante destacar que esses sintomas também podem ocorrer em outras doenças avícolas. Por isso, a confirmação depende de exames laboratoriais realizados pelos serviços veterinários competentes. Como acontece a transmissão do vírus? A transmissão da doença de Newcastle pode ocorrer pelo contato direto entre aves infectadas e saudáveis ou de maneira indireta, por meio de materiais e superfícies contaminadas. Segundo Rezende, o vírus pode ser eliminado pelas secreções respiratórias e pelas fezes das aves infectadas. As partículas virais também podem contaminar a água, a ração, os equipamentos e outras superfícies presentes nas instalações. “Pode acontecer pelo contágio direto, de uma ave para outra, por meio dos fluidos e das gotículas que saem durante a respiração”, explicou. Outro ponto de atenção é que uma ave infectada pode transmitir o vírus mesmo sem apresentar sintomas aparentes. Isso significa que a ausência de sinais clínicos não garante que o plantel esteja livre do agente infeccioso. Como prevenir a doença de Newcastle nas granjas? A principal recomendação é manter um programa rigoroso de biosseguridade, com medidas destinadas a impedir a entrada e a circulação do vírus nas propriedades. Entre os cuidados fundamentais estão: Vacinação: seguir o programa vacinal indicado pelo médico-veterinário responsável, de acordo com a categoria das aves e as normas sanitárias. Controle de acesso: restringir a entrada de visitantes, veículos e pessoas não autorizadas nas instalações. Higienização: manter equipamentos, instalações, roupas e calçados utilizados no manejo devidamente limpos e desinfetados. Controle de contato: evitar que aves domésticas tenham contato com aves silvestres ou animais de origem sanitária desconhecida. Água e alimentação: proteger reservatórios, bebedouros e comedouros contra possíveis fontes de contaminação. Monitoramento do plantel: observar diariamente alterações respiratórias, neurológicas, produtivas ou aumento inesperado da mortalidade. Para Rezende, a vacinação e os procedimentos de biosseguridade já adotados pela avicultura brasileira são essenciais para reduzir os riscos de disseminação. “Primeiro de tudo é seguir aquilo que a gente já vem fazendo, que é utilizar a vacinação e as medidas de biosseguridade”, afirmou. O veterinário destacou que a identificação do vírus antes do aparecimento de sinais clínicos demonstra a importância da vigilância sanitária nas propriedades. O que fazer em caso de suspeita da doença? Ao identificar aves com sintomas compatíveis com a doença de Newcastle ou mortalidade fora do padrão, o produtor deve comunicar imediatamente o Serviço Veterinário Oficial, por meio do órgão estadual de defesa agropecuária. A doença é de notificação obrigatória no Brasil, e a investigação deve ser conduzida pelas autoridades sanitárias. Até receber orientações, o produtor deve evitar a movimentação de aves, equipamentos e outros materiais que possam contribuir para a disseminação do vírus. Também não é recomendado introduzir novos animais no plantel ou transferir aves suspeitas para outras propriedades. A confirmação da doença exige exames laboratoriais específicos, e as medidas de controle devem seguir as determinações do serviço veterinário oficial. A doença de Newcastle pode ser transmitida aos humanos? Segundo Rezende, existem registros de infecção humana pelo vírus da doença de Newcastle, principalmente em situações de contato próximo com aves infectadas. Nesses casos, a manifestação mais frequentemente descrita é a conjuntivite, uma inflamação que afeta os olhos. A infecção humana é considerada rara e está associada, sobretudo, à exposição ocupacional ao vírus. Por isso, trabalhadores que lidam diretamente com aves devem utilizar equipamentos de proteção individual e seguir os procedimentos de higiene e biosseguridade. É seguro consumir carne de frango e ovos? Sim. A doença de Newcastle não é considerada um risco de transmissão ao consumidor por meio de carne de frango e ovos devidamente preparados. Durante a entrevista, Rezende reforçou a segurança sanitária dos produtos avícolas brasileiros comercializados sob inspeção oficial. “A carne de aves brasileira é totalmente segura”, afirmou. O especialista destacou que o sistema de fiscalização e monitoramento sanitário permite identificar ocorrências e adotar medidas para evitar a disseminação do vírus. Segundo ele, o episódio em Santa Catarina reforça a necessidade de manter os protocolos de vigilância, vacinação e biosseguridade em toda a cadeia produtiva. A recomendação aos produtores é continuar seguindo as orientações dos órgãos oficiais de defesa agropecuária e comunicar imediatamente qualquer suspeita de enfermidade no plantel. O post Doença de Newcastle: saiba identificar os sintomas e como proteger as aves da contaminação apareceu primeiro em Canal Rural.
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