Fórmula 1: Lwart usa GP em São Paulo como vitrine para o rerrefino de óleo usado

Pelo quinto ano seguido, o óleo lubrificante trocado nos carros que disputam o GP de São Paulo de Fórmula 1, de 6 a 8 de novembro, será levado à fábrica da Lwart Soluções Ambientais em Lençóis Paulista, no interior paulista, onde o resíduo é rerrefinado e volta ao mercado como matéria-prima para novos lubrificantes. Nas quatro edições anteriores, a empresa recolheu mais de mil litros no autódromo. O volume é baixo se comparado ao tamanho da operação da empresa. Atualmente, a capacidade de processamento de óleo usado na planta é de cerca de 240 milhões de litros de óleo lubrificante usado ou contaminado (OLUC) por ano. Para a Lwart, o peso do evento está em outro lugar, o de exposição da marca e de educação dos profissionais e do público. “Em uma corrida, cada detalhe faz diferença, e o destino do óleo também. Esse compromisso vale nas pistas e nas ruas. Em toda troca, o óleo usado precisa ter o mesmo fim: chegar a uma empresa certificada e autorizada pela ANP para reaproveitá--lo”, afirma João Vianney, diretor de Coleta da Lwart Soluções Ambientais. O comentarista Felipe Giaffone lembra que nas corridas, a demanda por trocas é maior. “Nas corridas, motor e lubrificante trabalham no limite, com altas rotações e temperaturas extremas exigem trocas muito mais frequentes do que em um carro de rua”, diz . Classificado como resíduo perigoso, o OLUC deve ser destinado ao rerrefino, segundo a Resolução Conama nº 362/2005, e a cadeia de coleta e reciclagem é autorizada e fiscalizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Ao fim de cada edição, o GP recebe o Certificado de Coleta de Óleo e o Certificado de Destinação Final. Durante o fim de semana, o óleo é armazenado em tambores na área dos boxes e, depois da prova, segue em caminhões especialmente equipados para esse tipo de resíduo até Lençóis Paulista, onde está instalada a planta da Lwart. O lubrificante das equipes não recebe tratamento especial. A formulação é definida pelos fabricantes, mas, depois de usado, o óleo é tratado como qualquer outro OLUC, segundo a empresa. Na chegada, todo o material passa por testes de laboratório e é separado em tanques conforme a qualidade. O processo combina uma etapa físico-química, que retira água e impurezas, com o hidrotratamento. O resultado é óleo básico do Grupo II, que a empresa diz ser a única a produzir na América Latina a partir de óleo usado. “O processo da Lwart praticamente não gera resíduos: 76,6% de rendimento no processo de rerrefino do OLUC, ou seja, para cada 1.000 litros de OLUC processado recuperamos 766 litros de óleo básico de alta qualidade”, diz Vianney. O restante, segundo a empresa, são subprodutos reaproveitados no próprio processo. O produto é vendido aos principais fabricantes de lubrificantes, para uso automotivo e industrial, e também atende o agronegócio e o setor elétrico, como isolante em transformadores, painéis e disjuntores. Uma das apostas da empresa são os modelos de ciclo fechado, desenvolvidos com montadoras e fabricantes de lubrificantes. O óleo usado é coletado pela Lwart, rerrefinado e volta à formulação dos lubrificantes dessas empresas. Depois de utilizados, esses lubrificantes retornam à coleta e ao rerrefino, com rastreabilidade em todas as etapas, segundo a companhia. “O rerrefino pode ser repetido infinitas vezes, mantendo o material em circulação na economia”, afirma Vianney. No transporte pesado, a parceria com Iveco e Petronas, com o lubrificante Nexpro Infinity, coletou mais de 407 mil litros no primeiro ano. Há ainda acordos com CNH e Petronas no agronegócio, com a linha Fleetpro Cycle, e com Stellantis e Motul em veículos leves, com a linha Motul NGEN Circular Autopeças. Fora das pistas, a operação tem outra escala. Em 2024, a Lwart recolheu mais de 225 milhões de litros de OLUC, o equivalente a 37% de todo o volume coletado no país, segundo o relatório de sustentabilidade da companhia. A empresa atende mais de 3,7 mil municípios e mantém uma rede de centros de armazenamento temporário que sustenta a logística reversa do resíduo. O próximo passo é ampliar a capacidade industrial. Com investimento de R$ 1 bilhão, o Projeto H+ prevê elevar o processamento anual da planta de Lençóis Paulista de 240 milhões para cerca de 380 milhões de litros de óleo usado. A entrada em operação está prevista para o segundo semestre de 2026, segundo a empresa, que com a nova fábrica passará a ser a segunda maior rerrefinaria do mundo. No campo ambiental, uma Avaliação do Ciclo de Vida feita pela consultoria Ramboll e concluída em 2024 indica que o óleo básico da empresa tem pegada de carbono 77% menor que a do óleo de primeiro refino usado no Brasil, o equivalente a 1.091 quilos de CO₂ equivalente a menos por metro cúbico. O relatório de sustentabilidade da companhia, porém, não passa por asseguração externa, e não há confirmação pública de revisão independente do estudo. Ajuste de rota - A operação no autódromo também teve tropeços. Os volumes recolhidos foram de cerca de 500 litros em 2022 e 470 litros em 2023, mas caíram para 50 litros em 2024, quando parte do lubrificante foi descartada junto com óleo de cozinha e, contaminada, não pôde ir para o rerrefino. Em 2025, foram 145 litros. “O principal aprendizado foi que comunicação e conscientização fazem diferença”, diz Vianney. Depois do episódio, a empresa reforçou a orientação às equipes, com um vídeo em inglês que mostra onde e como descartar o óleo nos boxes, e etiquetas mais claras nos pontos de coleta. O volume deste ano será apurado após a corrida.

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