A expansão da matriz elétrica brasileira até 2035 será predominantemente impulsionada por fontes renováveis, como eólica e solar, que adicionarão aproximadamente 32 GW de capacidade. No entanto, essas usinas, como as turbinas eólicas que só produzem com vento ou painéis solares que só geram com sol, não operam continuamente. Por isso, uma parcela significativa de 27,7 GW de fontes não renováveis, como térmicas a gás, será necessária para assegurar o abastecimento durante os horários de maior demanda e compensar a intermitência das renováveis. Esse mecanismo cria uma demanda robusta por investimentos em transmissão e na modernização da rede elétrica, além de garantir a relevância contínua de geradores de energia despachável. Para o investidor brasileiro, essa dinâmica aponta para oportunidades em empresas com portfólios diversificados e em infraestrutura de rede. Um paralelo histórico pode ser traçado com a Energiewende da Alemanha, que, apesar de focar em renováveis, enfrentou desafios de estabilidade da rede e manteve a necessidade de fontes tradicionais. O próximo gatilho será a divulgação de novos leilões de energia que contemplem a necessidade de capacidade despachável e soluções de armazenamento, com o horizonte de médio prazo indicando uma matriz mais verde, porém com a complexidade de gerenciamento da intermitência.
Nos próximos 6 a 12 meses, espera-se um aumento nos investimentos em projetos de transmissão e geração híbrida, com um foco crescente em soluções de armazenamento de energia. O gatilho para uma aceleração do setor será a publicação de novos editais de leilões que explicitamente remunerem a flexibilidade e a capacidade de despacho, o que pode ocorrer no final de 2026 ou início de 2027.
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