As recentes audiências envolvendo Flávio Bolsonaro e as tarifas comerciais dos EUA sobre o Brasil retornaram ao foco dos investidores, mas a análise de Thiago Salomão, do Market Makers, sugere um peso mais político do que comercial neste movimento. Este cenário cria incerteza, elevando o prêmio de risco para ativos brasileiros e potencialmente pressionando o USDBRL para cima, indicando fraqueza do Real. Embora o impacto comercial direto em empresas como GGBR4 e CSNA3 possa ser contido no curto prazo por essa natureza política, o risco de tarifas futuras permanece como um fator latente. Historicamente, movimentos políticos com pouca base comercial, como a retórica protecionista em 2018-2019, causaram volatilidade inicial no mercado brasileiro e no câmbio sem alterações estruturais imediatas nas exportações. O próximo gatilho a monitorar será a clareza sobre a evolução das negociações comerciais e as declarações subsequentes de autoridades americanas. No médio prazo, o cenário dependerá da capacidade do governo brasileiro em gerenciar o ruído político e evitar a escalada para tarifas efetivas, mantendo o controle da narrativa para preservar a confiança dos investidores.
Nas próximas 2-4 semanas, espera-se que a volatilidade no USDBRL persista em torno de 5.10-5.20, com o EWZ negociando em um range estreito, aguardando mais clareza sobre o desenrolar político. O principal gatilho de curto prazo será qualquer pronunciamento oficial do governo dos EUA ou do Brasil que indique uma escalada ou desescalada das tensões comerciais. No médio prazo (2-3 meses), a trajetória dependerá da concretização ou não de tarifas, com o risco político interno podendo se sobrepor aos fatores comerciais na formação do prêmio de risco.
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