Queda de desmatamento rendeu até R$ 192 bilhões para a economia do Brasil, estima FGV

A redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado desde 2023 pode ter gerado até R$ 192 bilhões em benefícios para a economia brasileira, por meio de danos climáticos evitados. No cenário global, o valor chega a R$ 1,16 trilhão, segundo estudo do economista Bráulio Borges, publicado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV). Leia também Brasil fica no 53º lugar em ranking global de inovação; São Paulo é hub de destaque A posição no Brasil no ranking foi atribuída a uma combinação de características como um grande mercado interno, bem como pontos fortes em ciência, empreendedorismo e ativos intangíveis à frente de outras economias latino-americanas; mas traduzir isso em produtividade ainda é desafio Qual o impacto nas exportações de frango nos últimos casos de doenças em aves? Nos dois últimos anos, mesmo com o registro de Doença de Newcastle (2024) e gripe aviária (2025), as exportações caíram nos primeiros meses dos focos, mas fecharam em alta no agregado anual A pesquisa compara os níveis de desmatamento dos dois biomas entre 2019 e 2022 com os registrados de 2023 a 2026. Nesse intervalo mais recente, cerca de 22,3 mil quilômetros quadrados deixaram de ser desmatados em relação ao cenário hipotético em que o ritmo anterior tivesse sido mantido. A área preservada é ligeiramente superior à do estado de Sergipe, que tem aproximadamente 21,9 mil quilômetros quadrados. O levantamento considera dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que apontaram queda de 41,8% no desmatamento da Amazônia e de 23,8% no Cerrado entre agosto de 2025 e julho de 2026. No primeiro bioma, a área desmatada foi de 3.335 km², a menor desde 1998. No segundo, foram 5.516,69 km², o menor número desde 2001. Emissões evitadas De acordo com os cálculos de Borges, a redução do desmatamento evitou a emissão de 1,49 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa entre 2023 e 2026. Essas emissões, que incluem o dióxido de carbono (CO₂), contribuem para o aquecimento global e as mudanças climáticas. As florestas ajudam a conter esse processo ao armazenar carbono na vegetação e nos solos. Para estimar os benefícios econômicos, o pesquisador utilizou o chamado Custo Social do Carbono (CSC), indicador que atribui um valor monetário aos prejuízos provocados pela emissão de gases de efeito estufa. No cenário central, o estudo adota uma média ponderada de US$ 145 por tonelada de CO₂. A partir dessa metodologia, o valor global dos danos climáticos evitados chega a R$ 1,16 trilhão. Em um cenário mais conservador, o benefício seria de R$ 621 bilhões. Já na projeção mais otimista, alcançaria R$ 9,8 trilhões. Para a economia brasileira, a estimativa varia de R$ 67 bilhões a R$ 192 bilhões. — Em ambos os casos, trata-se de um benefício que se materializa majoritariamente sob a forma de danos evitados, menos perdas de safras, menor estresse térmico sobre a produtividade do trabalho, menos eventos extremos, entre outros — afirma o economista. Impacto sobre as chuvas O estudo ressalta, porém, que os cálculos não incluem os efeitos regionais do desmatamento amazônico sobre as chuvas, a temperatura e a disponibilidade de água no Brasil. Esses fatores são importantes para atividades como a geração de energia hidrelétrica, a agropecuária e o abastecimento urbano. Borges destaca a importância dos chamados rios voadores, correntes de umidade alimentadas pela evapotranspiração da floresta que transportam vapor d’água para regiões como Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Pesquisas citadas no levantamento relacionam o avanço do desmatamento à redução das chuvas associadas a esse fenômeno. Segundo o estudo, estimativas de outros pesquisadores indicam que a chuva gerada pela Amazônia brasileira vale cerca de US$ 20 bilhões por ano, considerando o preço da água utilizada na irrigação agrícola. O valor equivale a aproximadamente US$ 60 por hectare de floresta ao ano. — A redução dos desmatamentos não é incompatível com a expansão da produção agropecuária, até porque o próprio agronegócio é um dos principais beneficiários da chuva gerada pela floresta — observa Borges. O economista acrescenta que os benefícios associados aos rios voadores se repetem enquanto a floresta permanecer em pé. Também ficam de fora da estimativa os ganhos relacionados à navegação fluvial, à redução de incêndios, à biodiversidade e ao abastecimento urbano. Remuneração pela floresta em pé Para Borges, os benefícios gerados pela conservação das florestas brasileiras superam os recursos recebidos pelo país por meio de mecanismos internacionais de financiamento ambiental. Entre as iniciativas estão o Fundo Amazônia, o mercado de créditos de carbono e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), lançado pelo Brasil na COP30, em Belém, em 2025. — Os valores envolvidos ainda são uma fração muito pequena dos ganhos estimados aqui — pondera. O pesquisador defende que o Custo Social do Carbono seja incorporado de forma explícita às análises de custo-benefício de políticas públicas, incluindo projetos de infraestrutura na Amazônia, planos de expansão do setor elétrico e a definição de tributos e subsídios. — Sem isso, continuaremos tomando decisões com base em uma contabilidade que enxerga apenas metade do balanço — afirma. The post Queda de desmatamento rendeu até R$ 192 bilhões para a economia do Brasil, estima FGV appeared first on InfoMoney.

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