Virgin Media O2 cortará milhares de vagas após perder clientes de telefonia e banda larga

A Virgin Media O2 se prepara para cortar milhares de postos de trabalho e reduzir suas ambições no avanço de fibra óptica, em uma tentativa de ampliar sua rentabilidade em meio à acirrada concorrência nos mercados britânicos de banda larga e telefonia móvel. A operadora de telecomunicações, controlada em conjunto pela Liberty Global e pela Telefónica, vem sendo pressionada pela expansão da rede nacional de fibra da concorrente BT e por dezenas de pequenos provedores alternativos, que oferecem conexões mais rápidas e baratas. Com um quadro de 15 mil funcionários, a Virgin Media O2 anunciou hoje que planeja economizar 800 milhões de libras até 2029 por meio de um corte de 30% no número de trabalhadores, com a maior parte das demissões concentrada em funções administrativas e operacionais que não envolvem atendimento direto ao cliente. A companhia também informou estar em negociações para utilizar a rede de uma rival a fim de expandir seu alcance para além de sua própria área de cobertura, o que significaria utilizar a infraestrutura nacional Openreach, da BT. Essa rede já é utilizada por provedores concorrentes como Sky e Vodafone, além dos próprios serviços de varejo e corporativos da BT. O diretor-presidente da Virgin Media O2, Lutz Schüler, declarou que as mudanças são difíceis, porém indispensáveis. “Diante das condições de mercado que enfrentamos, do cenário regulatório em fibra e das transformações tecnológicas que varrem todos os setores da economia, ficar parado e continuar fazendo o que sempre fizemos não é uma opção”, afirmou o executivo. Os resultados financeiros mais recentes da tele evidenciaram o impacto da pressão competitiva. A empresa registrou a perda líquida de 23.300 clientes de telefonia e banda larga fixa no terceiro trimestre, situando sua base total em 5,5 milhões de assinantes. A receita total recuou 5,7%, para 2,4 bilhões de libras, enquanto o lucro operacional ajustado cedeu 2,6%, para 995 milhões de libras. A Virgin Media O2 planejava modernizar sua infraestrutura de cabos para fibra óptica integral e ampliar sua cobertura geográfica por meio da aquisição da Netomnia, uma das maiores redes alternativas do país. No entanto, a autoridade regulatória antitruste do Reino Unido vetou o acordo no mês passado. A Nexfibre, empresa conjunta formada pelos donos da Virgin Media O2 e pela gestora de investimentos InfraVia, informou que pretende recorrer formalmente contra os argumentos do órgão regulador. A Virgin Media O2 argumentou que a viabilidade econômica do mercado não sustenta “três redes sobrepostas de fibra óptica”. Por essa razão, a empresa optará por modernizar sua malha de cabos existente, baseada em tecnologia mais antiga, de modo a disponibilizar velocidades de conexão de 2 gigabytes por segundo para a maioria de seus clientes já no próximo ano. “Onde qualquer investimento futuro em fibra fizer sentido estratégico, ele será financiado fora do balanço patrimonial e restrito apenas a áreas sem presença de operadoras alternativas”, destacou a companhia. A empresa acrescentou ainda que está “avaliando acordos no mercado atacadista para viabilizar a expansão de seus serviços a regiões fora de sua rede própria, que não contam com a cobertura das malhas da Virgin Media O2 ou da Nexfibre”. A receita total recuou 5,7%, para 2,4 bilhões de libras, enquanto o lucro operacional ajustado cedeu 2,6%, para 995 milhões de libras Simon Dawson/Bloomberg

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