Os juros futuros no Brasil recuaram no pregão desta terça-feira, pós-feriado, após a pesquisa Quaest mostrar o presidente Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numericamente empatados com 41% das intenções de voto em simulação de segundo turno. O mercado interpretou este cenário como um aumento das chances de vitória da oposição, sinalizando uma possível redução do risco fiscal percebido e, consequentemente, uma menor necessidade de prêmio de risco nos títulos de dívida de longo prazo. Para o investidor local, a percepção de menor risco fiscal pode impulsionar o IBOV (atual 185,147) e reduzir a pressão sobre a taxa Selic de longo prazo, embora a política monetária de curto prazo siga atrelada à inflação. O Brasil já vivenciou movimentos similares em ciclos eleitorais passados, como em 2018, quando a percepção de um governo reformista levou a um rali no mercado de renda variável, com o Ibovespa subindo mais de 15% entre o primeiro e segundo turno. Os próximos gatilhos incluem as novas pesquisas eleitorais e os debates presidenciais, que ocorrerão até o pleito de outubro. No médio prazo, o cenário dependerá da clareza das propostas econômicas dos candidatos e da capacidade do novo governo de endereçar os desafios fiscais estruturais do país.
Nas próximas 2-4 semanas, o mercado continuará sensível a novas pesquisas eleitorais e debates, com juros futuros podendo reverter parte do recuo se a incerteza aumentar novamente. Um cenário de maior clareza pós-eleição em outubro pode consolidar o achatamento da curva, mas a ausência de uma agenda fiscal robusta pode limitar o otimismo de médio prazo.
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