Criptomoeda dispara 10% enquanto hackers usam plataforma para lavar bilhões roubados da Binance

A criptomoeda RUNE, da plataforma de finanças descentralizadas THORChain, dispara mais de 10% nesta quarta-feira (4), enquanto hackers ligados à Coreia do Norte retomaram a movimentação de recursos roubados da Binance, que sofreu um ataque de US$ 6,3 bilhões na semana passada. A rede blockchain está sendo utilizada pelos criminosos para converter ativos desviados em Bitcoin (BTC), dificultando o trabalho das autoridades para recuperar o dinheiro. Segundo dados do CoinGecko, a RUNE chegou a subir 10,6% nas últimas 24 horas, sendo negociada a aproximadamente US$ 0,637. O movimento aconteceu após a retomada das operações de troca de criptomoedas entre diferentes blockchains na THORChain, que estavam parcialmente suspensas desde sábado (31). O grupo de hackers TraderTraitor, associado ao governo norte-coreano pelo FBI, está utilizando a plataforma para movimentar parte dos bilhões de dólares roubados da Binance em 29 de outubro. De acordo com a empresa de análise de blockchain Lookonchain, os criminosos estão distribuindo os recursos em Solana (SOL) por diferentes carteiras digitais, convertendo os tokens em USDC e transferindo os valores para a rede Ethereum. Em seguida, os hackers compram Ethereum (ETH) e utilizam a THORChain para transformá-lo em Bitcoin. A estratégia busca dificultar o rastreamento dos recursos e, principalmente, reduzir o risco de que os valores sejam congelados. Isso acontece porque empresas responsáveis por stablecoins, como Tether e Circle, conseguem bloquear tokens mantidos em carteiras identificadas como suspeitas. Já Bitcoin e Ethereum não possuem uma empresa emissora com autoridade para congelar unilateralmente os saldos dos usuários. Até agora, mais de US$ 3 bilhões em criptomoedas roubadas da Binance foram congelados, segundo informações divulgadas pelas empresas envolvidas na recuperação dos recursos. A conversão de stablecoins para BTC e ETH é uma das estratégias utilizadas pelos criminosos para preservar o controle sobre o restante do dinheiro. Como a THORChain está sendo usada pelos hackers A THORChain é um protocolo de finanças descentralizadas (DeFi) que permite trocar criptomoedas de diferentes redes sem depender de uma corretora centralizada. Por exemplo, um usuário pode converter Ethereum diretamente em Bitcoin, sem precisar depositar os recursos em uma plataforma como Binance ou Coinbase. Essa característica tornou a rede uma ferramenta utilizada pelos hackers para movimentar criptomoedas entre blockchains, dificultando a atuação de empresas que normalmente poderiam interromper transações suspeitas. De acordo com uma investigação publicada no domingo (1) pelo analista SomaXBT, os criminosos já haviam enviado aproximadamente US$ 48,3 milhões em criptomoedas para a THORChain, recebendo cerca de US$ 42,7 milhões após as conversões. A diferença de aproximadamente 12% representa perdas relacionadas a taxas e slippage, termo que descreve a diferença entre o preço esperado e o preço efetivamente obtido em uma operação. Mesmo com os custos elevados, os hackers continuaram utilizando a plataforma. O investigador identificou 2.697 depósitos relacionados aos criminosos na THORChain. As interfaces utilizadas para realizar essas operações também receberam aproximadamente US$ 95 mil em comissões, demonstrando como o movimento dos recursos roubados pode gerar receitas para participantes do ecossistema. O aumento das transações também ajuda a explicar a valorização da RUNE. A criptomoeda é utilizada nos mecanismos de liquidez e liquidação da THORChain, enquanto as operações realizadas na rede geram taxas para o protocolo. Assim, um crescimento expressivo da atividade pode aumentar o interesse pelo token, embora não seja possível atribuir toda a alta exclusivamente às movimentações dos hackers. O episódio não é o primeiro envolvendo a THORChain e criminosos norte-coreanos. Em fevereiro de 2025, a plataforma também foi utilizada para movimentar recursos do ataque de aproximadamente US$ 1,5 bilhão à corretora Bybit. Na ocasião, a rede processou US$ 4,66 bilhões em trocas de criptomoedas na semana encerrada em 2 de março, estabelecendo um recorde de movimentação para aquele período. FBI tenta impedir movimentação dos recursos roubados A utilização da THORChain pelos criminosos também provocou um impasse entre autoridades americanas e operadores da rede descentralizada. No sábado (31), o FBI publicou um alerta atribuindo oficialmente o ataque à Binance ao grupo TraderTraitor, ligado à Coreia do Norte, e solicitou que operadores de nós da THORChain, plataformas de finanças descentralizadas e outras empresas de criptomoedas bloqueassem transações relacionadas aos endereços identificados na investigação. Apesar do alerta, as operações foram retomadas na terça-feira (3), depois de uma interrupção provocada por um problema técnico na rede Ethereum. Uma reorganização de blocos expôs uma falha no mecanismo de reembolso da THORChain, fazendo com que o protocolo devolvesse 10 ETH que não haviam sido efetivamente recebidos por um de seus cofres. Como medida de segurança, as negociações foram suspensas temporariamente. A paralisação também interrompeu parte das operações dos hackers norte-coreanos. Com a reativação das trocas envolvendo Bitcoin, Ethereum e Tron, os criminosos voltaram a utilizar a rede para movimentar os recursos roubados. Outras blockchains, como BNB Smart Chain, Cosmos e Solana, ainda apresentavam restrições na última atualização divulgada. O episódio reacendeu o debate sobre a responsabilidade de plataformas descentralizadas na prevenção da lavagem de dinheiro. Em setembro, a THORChain já havia rejeitado um pedido da Bitget para bloquear carteiras associadas a outro ataque hacker, estimado em US$ 388 milhões, alegando que seus mecanismos de emergência não permitem interromper individualmente determinadas operações sem afetar o funcionamento mais amplo da rede. No caso da Binance, o cofundador técnico da THORChain, Chad Barraford, afirmou que a interface oficial do protocolo bloqueou os endereços identificados pelo FBI. Entretanto, como as operações são processadas por uma rede descentralizada, o bloqueio da interface não impede necessariamente que os criminosos utilizem outros meios para realizar as transações. Enquanto isso, empresas de segurança continuam monitorando os recursos roubados. Em relatório publicado na terça-feira (3), a TRM Labs revelou que os hackers também estão utilizando estratégias mais complexas para dificultar o rastreamento, incluindo a criação de tokens próprios na rede Tron e a movimentação de ativos por múltiplas pontes entre blockchains. Em uma dessas operações, os criminosos criaram uma criptomoeda sem valor de mercado independente e a utilizaram em uma piscina de liquidez abastecida com recursos roubados. Em seguida, venderam novos tokens emitidos por eles mesmos para retirar o dinheiro por meio de outras carteiras, dificultando a identificação da conexão entre as transações. A empresa também identificou o uso de tokens que representam depósitos em protocolos de empréstimos e de trocas sucessivas entre blockchains, estratégias que podem fazer com que o dinheiro reapareça em endereços aparentemente não relacionados ao ataque original. Apesar da intensa movimentação, a Elliptic avalia que apenas uma parcela insignificante dos recursos roubados foi efetivamente convertida em dinheiro fora do mercado de criptomoedas. A maior parte continua em carteiras vinculadas aos invasores. A empresa acredita que os hackers deverão continuar convertendo Ethereum em Bitcoin por meio de transações menores, antes de tentar vender os ativos gradualmente por intermédio de corretoras de balcão (OTC), processo que pode se estender por meses. A Binance informou na terça-feira que aproximadamente US$ 2,85 bilhões dos recursos roubados já haviam sido congelados ou interceptados. A corretora também afirmou ter recomposto cerca de 98% dos tokens afetados utilizando recursos próprios, garantindo que os clientes não terão prejuízos financeiros com o ataque. O post Criptomoeda dispara 10% enquanto hackers usam plataforma para lavar bilhões roubados da Binance apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.

CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real