Um terço dos americanos apoia nova tentativa de executar condenados após falha

Um terço dos americanos acredita que o governo deveria tentar novamente executar um criminoso condenado à morte caso a primeira tentativa fracasse, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada após uma execução malsucedida por injeção letal no Tennessee. Leia também: Trump cancela transmissão ao vivo de execução de autor de ataque em base militar Mulher no corredor da morte sobrevive a duas injeções letais nos EUA A pesquisa, feita ao longo de quatro dias e concluída na segunda-feira, mostrou que 39% dos entrevistados acreditam que o governo deveria, em vez disso, permitir que os condenados cumpram prisão perpétua após uma tentativa frustrada de execução, enquanto 26% não tinham certeza sobre qual seria a melhor abordagem. O levantamento nacional constatou que o apoio a uma nova tentativa de execução de presos que sobrevivem ao procedimento é minoritário, uma questão que o Tennessee enfrenta agora depois que Christa Pike, de 50 anos, sobreviveu a duas tentativas de execução por injeção letal no mês passado, em Nashville. Condenada por assassinato, Pike foi levada inconsciente a um hospital após a tentativa de execução, em estado crítico e com ferimentos graves nos braços, depois que duas seringas contendo pentobarbital, um barbitúrico cáustico, não conseguiram matá-la. Foi a segunda execução malsucedida por injeção letal no Tennessee neste ano. Ela só recuperou a consciência cinco dias depois. A maioria dos países do mundo, assim como 23 Estados americanos, aboliu a pena de morte. Os Estados americanos que ainda aplicam a punição enfrentaram dificuldades nos últimos anos para obter os medicamentos usados nas execuções, e alguns consideraram outros métodos, incluindo o fuzilamento. Uma pequena maioria dos americanos, de 55%, continua apoiando a pena de morte para pessoas condenadas pelos crimes mais graves, abaixo dos 63% que disseram apoiar a medida em uma pesquisa Reuters/Ipsos de 2017. Cerca de 31% dos entrevistados no levantamento mais recente disseram ser contrários à pena de morte, enquanto 13% não sabiam ou não responderam à pergunta. A questão ganhou nova relevância à medida que os tribunais analisam se os Estados podem realizar uma segunda tentativa de execução após o fracasso da primeira. A Suprema Corte dos EUA autorizou recentemente um Estado a prosseguir com o agendamento de uma segunda data de execução após uma tentativa frustrada. Kenneth Smith, condenado por um assassinato cometido por encomenda em 1988, sobreviveu a uma passagem pela câmara de execução do Alabama em 2022, depois que funcionários da prisão não conseguiram instalar os acessos intravenosos. Mas o Alabama conseguiu executá-lo na segunda tentativa, em 2024, utilizando um novo método de asfixia com gás nitrogênio. Oposição à transmissão ao vivo de execuções O secretário de Defesa americanp, Pete Hegseth, levantou recentemente a possibilidade da primeira transmissão ao vivo de uma execução nos EUA, o fuzilamento planejado de Nidal Hasan, ex-major do Exército americano que matou 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas. Após críticas generalizadas, inclusive de parlamentares republicanos, o presidente Donald Trump cancelou os planos de transmissão ao vivo, embora as autoridades ainda pretendam realizar a execução em 3 de dezembro. Cerca de 46% dos americanos, incluindo 29% dos democratas e 71% dos republicanos, disseram considerar apropriado executar Hasan por fuzilamento. Mas 71% dos entrevistados, incluindo maiorias entre democratas e republicanos, afirmaram que é inadequado exibir execuções ao público pela televisão ou pela internet. A pesquisa Reuters/Ipsos foi realizada pela internet, em todo o país, e ouviu 1.679 adultos americanos. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

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