Acesso que não está à venda: o novo diferencial do turismo de luxo

Uma pesquisa recente da Braztoa mostra que 64% das operadoras associadas registraram crescimento nas vendas de produtos premium e de luxo no primeiro semestre deste ano, e 52% relataram alta específica em produtos personalizados, sinal de que o público de alto padrão busca cada vez mais roteiros sob medida em vez de pacotes fechados. Segundo o World Travel & Tourism Council, o setor de viagens deve movimentar US$ 12 trilhões na economia mundial neste ano, o equivalente a 9,9% do PIB global, e o Brasil recebeu 9,3 milhões de turistas internacionais em 2025, alta de 37,1% sobre o ano anterior. Nesse cenário mais aquecido, um tipo específico de diferencial vem ganhando peso: o acesso que depende de relacionamento, e não apenas de orçamento. A SuaGuia, agência boutique especializada em viagens sob medida para a Itália, é uma das que constroem roteiros em torno desse tipo de acesso, com experiências como shows, bastidores do Vaticano e restaurantes reservados, sempre citando nominalmente os parceiros envolvidos, quando autorizado por eles. Os Museus do Vaticano ilustram bem esse contraste. Em 2024, o complexo recebeu 6,82 milhões de visitantes, o segundo museu mais visitado do mundo, atrás apenas do Louvre, com 8,86 milhões, segundo levantamento internacional de museus. O acervo reúne cerca de 70 mil obras, das quais 20 mil ficam expostas ao público, distribuídas por um conjunto de 12 museus que soma cerca de 40 mil metros quadrados. Durante o dia, esse acervo recebe um fluxo constante de visitantes. Às 18h, porém, os museus fecham ao público e esvaziam por volta das 20h, e é nesse intervalo, concentrado principalmente entre abril e outubro, que operadoras especializadas conseguem reservar visitas privativas, com grupos reduzidos percorrendo os mesmos corredores que durante o dia recebem multidões. Roma também guarda outro tipo de acesso menos óbvio: a cidade tem hoje um restaurante de culinária japonesa reconhecido pelo Guia Michelin, o Sushisen, uma opção pouco associada ao imaginário tradicional da capital italiana. "Transparência não é abrir mão do nosso valor. É mostrar, com clareza, o que conseguimos entregar e por quê. Quanto mais a gente abre, mais forte se torna a confiança.", diz Eduardo Moreira, cofundador da SuaGuia. Segundo a agência, esse tipo de acesso não substitui o roteiro, ele o complementa: cada experiência exclusiva é combinada previamente com hotéis, guias e vinícolas parceiras, o que exige um relacionamento construído ao longo do tempo e não apenas capacidade de pagamento.

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