Com a reeleição surpresa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o diretor de tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, avalia que o mercado local deve ter um dia de fortes perdas, já que muitos investidores já haviam montado posições à espera de vitória de Flávio Bolsonaro (PL). Para Weigt, o dólar à vista tende a abrir o pregão regular já acima de R$ 5,30, com salto de cerca de 6%, e a expectativa é de leilões em dólar e na curva de juros futuros (DIs). “Banco Central deve intervir com venda de moeda à vista”, afirma. Na Bolsa, a perspectiva do tesoureiro é de um circuit breaker, interrupção dos negócios, com queda de mais de 10% do Ibovespa. Dominância fiscal? O especialista também prevê uma escalada nas expectativas de inflação com a depreciação aguda da taxa de câmbio e a pressão para o reajuste dos combustíveis, diante de um provável aumento de defasagem entre os preços internos e externos. Diante disso, se o governo Lula não anunciar algum ajuste nas contas no curto prazo, o mercado deve voltar a discutir um cenário de dominância fiscal. “Com a disparada do dólar e aumento da defasagem, principalmente do diesel, esperamos uma inflação mais alta. Nesse cenário, a taxa de juros deixa de fazer efeito e passamos a ter um ambiente de dominância fiscal”, afirmou.
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