Banco do Brasil renegocia R$ 40 bilhões no Desenrola, mas riscos persistem

O Banco do Brasil (BBAS3) informou em 1º de outubro que renegociou R$ 40 bilhões em dívidas desde o início do programa Novo Desenrola Brasil e também por seus canais próprios, englobando famílias, empresas, Fies e o setor rural. Embora o volume seja expressivo e aparente uma melhora na inadimplência, o mecanismo econômico subjacente sugere que grande parte dessas renegociações pode envolver concessões significativas, como descontos e alongamento de prazos, o que impacta diretamente a margem financeira e a rentabilidade futura do banco. O BBAS3 é o principal afetado, pois, ao absorver um volume tão grande de dívidas reestruturadas, assume o risco de re-default, que pode mascarar a real qualidade do crédito. Para o investidor brasileiro, a percepção inicial de redução da inadimplência pode ser temporária, com a sustentabilidade das repactuações e a capacidade de pagamento dos devedores sendo cruciais para o lucro líquido. No passado, programas de renegociação de dívidas, como o Refis de 2017, frequentemente resultaram em altas taxas de re-inadimplência. O próximo balanço de BBAS3, previsto para 11 de novembro de 2026, será um gatilho importante para avaliar o impacto nas provisões para devedores duvidosos (PDD). O que definirá o desfecho é a taxa efetiva de re-default e a capacidade do banco de manter suas margens em um cenário de termos de renegociação potencialmente menos favoráveis.

Análise

O que define o desfecho é a taxa de re-default das dívidas renegociadas, que será acompanhada nos próximos balanços. A divulgação dos resultados de BBAS3 em 11 de novembro de 2026 fornecerá os primeiros dados concretos sobre o impacto nas provisões e na margem financeira, crucial para entender a sustentabilidade do programa.

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