Veja em quais locais há relatos de problemas no transporte

Relatos de problemas no transporte público de eleitores foram registrados em diferentes Estados durante o segundo turno das eleições, neste domingo, eevaram as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) a acionar a Justiça Eleitoral para pedir a prorrogação do horário de votação das 17h para as 19h. As reclamações envolvem redução da frota de ônibus, dificuldades de deslocamento e, em algumas localidades, chuvas e alagamentos. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, a pedido da campanha de Lula, determinou que as urnas permanecessem abertas até as 19h em todo o país, duas horas além do horário inicialmente previsto. A decisão, comunicada pouco antes das 17h, provocou dúvidas entre mesários sobre a continuidade da votação. Segundo relatos obtidos pelo Valor, algumas seções eleitorais já haviam emitido os boletins de urna, que registram os resultados da votação nos equipamentos. Foram relatadas orientações divergentes sobre a retomada do processo em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Ibipeba e Barra dos Mendes, estas duas últimas na Bahia. Um dos episódios ocorreu em Salvador, onde o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Maurício Kertzman Szporer, determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, após a Justiça Eleitoral constatar que a frota de ônibus em circulação na capital baiana estava reduzida pela metade. A determinação ocorreu após uma inspeção realizada por um juiz auxiliar do tribunal em uma garagem de ônibus. Segundo a decisão, o supervisor do local informou que a redução da frota seguia orientação da Secretaria Municipal de Mobilidade. O TRE-BA também determinou que a prefeitura colocasse 100% dos veículos em circulação no prazo de uma hora, sob monitoramento da Polícia Federal. A Prefeitura de Salvador afirmou que o atraso na liberação dos veículos ocorreu porque sindicalistas colocaram adesivos com o número 13, do PT, nos ônibus. Após a intervenção judicial, a administração municipal informou que havia determinado a liberação de toda a frota, mesmo dos veículos com adesivos considerados propaganda eleitoral irregular. Em Sergipe, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SE) também determinou a recomposição do transporte coletivo intermunicipal após uma ação apresentada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. A entidade alegou que a redução na oferta de ônibus estava dificultando o deslocamento de eleitores entre Aracaju e municípios do interior do Estado. A desembargadora Ana Bernadete Leite de Carvalho Andrade determinou que a Cooperativa de Transporte Alternativo de Passageiros do Estado de Sergipe (Coopertalse) mantivesse ou recompusesse a frota no prazo de uma hora após a intimação. A decisão estabeleceu que o serviço deveria funcionar até 20h, gratuitamente e com frequência equivalente, no mínimo, à dos dias úteis, sob pena de configuração de crime de desobediência. Na cidade de São Paulo, a campanha de Lula denunciou que apenas cerca de 60% da frota de ônibus estava em circulação, apesar de uma determinação judicial para que todos os veículos fossem disponibilizados durante a eleição. Diante da situação, a candidatura pediu a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade Urbana, Celso Jorge Caldeira, e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges. Além de São Paulo e Bahia, a campanha petista apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido de prorrogação do horário de votação em municípios de outros oito Estados: Piauí, Paraíba, Paraná, Pará, Alagoas, Pernambuco, Roraima e Rio de Janeiro. Em Alagoas, a candidatura relatou insuficiência de vans e micro-ônibus do transporte complementar intermunicipal, com esperas superiores a uma hora e denúncias de cobrança de passagens de eleitores. Em Pernambuco, foram apontadas dificuldades para garantir a gratuidade do transporte intermunicipal. Em Roraima, segundo a campanha, empresas contratadas teriam se recusado a executar rotas eleitorais com veículos indicados pelo governo estadual, prejudicando o deslocamento de eleitores indígenas até os locais de votação. No Piauí, houve denúncias de redução da frota de ônibus em Teresina. Na Paraíba, eleitores de João Pessoa relataram longas esperas nos pontos de embarque e ônibus que não paravam para receber passageiros, apesar da gratuidade do serviço. No Pará, foram relatadas dificuldades de transporte na região do Marajó. Já no Rio de Janeiro, a campanha mencionou redução da frota em Petrópolis e reclamações de filas e baixa circulação de ônibus em São Gonçalo. Pedido da campanha de Flávio A campanha de Flávio também acionou o TSE para pedir a prorrogação da votação até as 19h em 17 municípios nos Estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Diferentemente das denúncias relacionadas à oferta de transporte público, a candidatura do PL apontou chuvas, alagamentos e interdições de vias como obstáculos ao deslocamento dos eleitores. Em São Paulo, o pedido abrange a capital, Jundiaí, Itapevi, Americana, Santa Bárbara d'Oeste, Itapetininga, Botucatu, Apiaí, Ribeira e Iporanga. No Paraná, a solicitação contempla Curitiba e Guaratuba. Em Santa Catarina, os municípios citados são Tijucas, Videira, Trombudo Central, Joaçaba e Águas de Chapecó. Os advogados do candidato também solicitaram que a divulgação dos resultados da eleição presidencial começasse somente após o encerramento da votação nos municípios abrangidos, caso a prorrogação fosse autorizada. Pexels/Kaique Rocha

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