Títulos isentos de IR sobem taxas após eleição e risco

As taxas de títulos privados isentos de Imposto de Renda (IR), incluindo debêntures de infraestrutura, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), subiram acentuadamente no dia seguinte à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme noticiado em 05/11/2026. Este movimento foi impulsionado pela alta nos rendimentos das NTN-Bs, títulos públicos atrelados à inflação. Papéis de baixo risco com classificação AAA, como os da SBSP3 (Sabesp), passaram a oferecer cerca de 8% ao ano sem IR, o que equivale a 9,40% em um título tributado, considerando a alíquota de 15% para aplicações acima de dois anos. Pierre Jadoul, da ARX Investimentos, descreveu essas taxas como "grotescas" para papéis de baixo risco. Bernardo Feijó, diretor operacional de uma gestora, alertou para o risco de curto prazo devido a saques em fundos de debêntures incentivadas, mencionando que a necessidade de fazer caixa pode levar à venda de papéis e ao aumento dos juros, colocando a recessão no centro do debate. A consultoria Vitrify, com dados calculados pela C2P, mostrou que a mediana de 205 papéis indexados ao IPCA atingiu 8,92% em 29 de outubro, após ter oscilado de 8,60% antes do primeiro turno para 7,90% em 9 de outubro. A amostra exclui títulos do grupo RAIZ4 (Raízen), que está em recuperação extrajudicial.

Análise

Acompanhar a divulgação dos balanços dos fundos de crédito privado, esperados para as próximas semanas, será crucial para avaliar a dimensão dos resgates e a necessidade de liquidação de ativos. Além disso, a comunicação do governo sobre a política fiscal definirá a percepção de risco de longo prazo.

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