Netanyahu alerta para alta participação de árabes em eleição e é chamado de racista

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e seus parceiros de coalizão de extrema direita fizeram nesta terça-feira (27) um último esforço para levar seus apoiadores às urnas, alertando para o aumento da participação de eleitores árabes, em uma estratégia denunciada por políticos árabes como racista e inflamatória. Leia também: Israelenses batem recorde de comparecimento em eleição decisiva para Netanyahu Eleição acirrada em Israel põe árabes no centro da disputa Eleição em Israel pode levar semanas para definir futuro governo; entenda Carros com bandeiras do partido Likud, de Netanyahu, circularam por Jerusalém reproduzindo em alto volume o chamado islâmico à oração e conclamando apoiadores a votar porque "os árabes estão votando", de acordo com testemunhas. Em uma série de publicações, Netanyahu destacou as longas filas nos locais de votação em comunidades árabes e divulgou uma imagem que, segundo ele, mostrava árabes, incluindo mulheres usando niqab, esperando para votar. "Se não acordarmos agora, acabaremos com um governo de Mansour Abbas e Ahmed Tibi", afirmou em uma publicação, referindo-se a dois importantes políticos árabes palestinos de Israel. O comparecimento às urnas chegou a 55,7% nas primeiras nove horas de votação, informou a comissão eleitoral, o ritmo mais rápido já registrado. Os árabes, em sua maioria de origem palestina, representam cerca de 21% dos 10 milhões de habitantes de Israel e tradicionalmente votam em proporção menor do que os israelenses judeus. Tibi, candidato de um partido árabe, afirmou que a forte participação da minoria árabe de Israel "abrirá caminho para um governo alternativo e mudará a grave realidade". Sami Abu Shehadeh, líder do partido árabe Balad, escreveu no X que as longas filas em frente aos locais de votação deveriam provocar "orgulho e alegria em qualquer pessoa que acreditasse na democracia". "Estamos recebendo todas essas mensagens incitadoras dos racistas mesquinhos, Ben-Gvir, Netanyahu e seus parceiros. Do que eles têm medo? Esta é, na verdade, uma excelente cena, é boa para a democracia." O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reage após preencher sua cédula de votação em uma seção eleitoral em Jerusalém Yonatan Sindel/Flash90, via AP Netanyahu já retratou eleitores árabes como ameaça Os alertas de Netanyahu ecoaram campanhas eleitorais anteriores, nas quais ele procurou mobilizar apoiadores de direita ao retratar a forte participação árabe como uma ameaça, provocando acusações de racismo por parte de adversários. Esta é a primeira eleição desde o ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 e as guerras subsequentes em Gaza, no Líbano e no Irã. Os quatro anos da coalizão religioso-nacionalista de Netanyahu coincidiram com um aumento dos crimes violentos nas comunidades árabes de Israel, incluindo muitos assassinatos ligados ao crime organizado. Pesquisas indicam que a coalizão de Netanyahu caminha para perder sua maioria parlamentar, embora os partidos de oposição também possam enfrentar dificuldades para conquistar as 61 cadeiras necessárias para formar um governo majoritário. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, supervisionou uma política de demolição de casas de árabes construídas ilegalmente, enquanto o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, promoveu a "judaização" de áreas do norte e do sul de Israel onde vivem muitos árabes. Ambos os ministros foram alvo de sanções de países ocidentais por acusações de incitação à violência contra palestinos na Cisjordânia ocupada. Em comunicado, Ben-Gvir classificou o nível de participação dos eleitores árabes como "loucura" e pediu que seus apoiadores votassem em seu partido, Poder Judaico, caso quisessem que o país fosse judeu e sionista. O partido Sionismo Religioso, de Smotrich, afirmou que o ministro das Finanças havia suspendido suas atividades de campanha no dia da eleição para convocar uma reunião de emergência destinada a discutir o que descreveu como uma participação excepcionalmente alta dos eleitores árabes. Um ciclista passa por um outdoor de campanha com imagens do premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, à esquerda, e de seu principal adversário, o candidato da oposição Gadi Eisenkot, enquanto um cartaz com a imagem do ministro das Finanças israelense, Bezalel Smotrich, está caído na calçada AP/David Goldman

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