A expectativa de inflação persistente nos custos de moradia (shelter inflation) para os dados a serem divulgados na quarta-feira está gerando preocupação, com projeções de que esse componente continue elevado. A persistência da inflação de aluguéis e custos de habitação é um fator chave para a decisão de política monetária, pois sinaliza que a desinflação total do CPI é mais lenta, exigindo uma postura mais restritiva dos bancos centrais. Este cenário eleva o custo de oportunidade de ativos que não pagam juros, como o ouro, potencialmente pressionando para baixo o preço de GLD e impactando negativamente mineradoras como NEM e GOLD. Para o investidor brasileiro, um dólar mais forte impulsionado por juros americanos elevados pode mitigar parte da queda do ouro em BRL, mas a alta do DXY ($99.80 hoje) ainda representa um desafio. Em 2022, quando a inflação atingiu picos e o Fed elevou juros agressivamente, o ouro (Ouro=$4427.80 hoje) teve uma queda de cerca de 20% do seu topo, demonstrando a sensibilidade a um regime de juros altos. O principal gatilho a monitorar é a divulgação dos dados de inflação na quarta-feira, que trará clareza sobre a trajetória da inflação de moradia. No médio prazo, se a inflação de moradia desacelerar de forma mais acentuada, o ouro pode encontrar suporte, mas a curto prazo a pressão baixista deve persistir até a confirmação de uma desinflação estrutural.
Nas próximas 1-2 semanas, se os dados de inflação de quarta-feira confirmarem a persistência da inflação de moradia, o ouro (GLD) poderá recuar em direção a $4350-4380, e as mineradoras seguirão essa tendência. O gatilho para uma reversão seria uma surpresa desinflacionária ou uma mudança na retórica do Fed.
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