Em 25 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com cerca de 4,3 milhões de votos a mais que Flávio Bolsonaro, surpreendendo no domingo. Segundo Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, o mercado deverá focar na trajetória das contas públicas, na dinâmica da dívida e na capacidade do governo de apresentar um plano fiscal que estabilize o endividamento. Na Bolsa, a postura tende a ser mais seletiva, com atenção à geração de caixa, ao nível de endividamento, à previsibilidade das receitas e à exposição cambial de cada companhia. Na construção civil, a continuidade das políticas habitacionais e dos mecanismos de financiamento voltados à população de menor renda poderia sustentar a demanda por imóveis populares, beneficiando Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) em relação a empresas mais dependentes de financiamento imobiliário de média e alta renda. Mollo ressalta que o desempenho do segmento continuará condicionado às regras dos programas habitacionais, aos subsídios, aos custos de construção e à capacidade de execução dos projetos. Setores defensivos e empresas com receitas relativamente previsíveis também podem ganhar relevância; Caixa Seguridade (CXSE3) e TIM (TIMS3) oferecem exposição a negócios com dinâmicas operacionais distintas das empresas mais cíclicas. Petrobras (PETR4), BB Seguridade (BBSE3) e Telefônica Brasil (VIVT3) podem ser avaliadas pela geração de caixa e pela capacidade de remunerar os acionistas, considerando suas respectivas avaliações e riscos operacionais. Mollo observa que, no caso da Petrobras, decisões de investimento, política de preços e influência do controlador permanecem fatores importantes, impedindo que a companhia seja considerada uma proteção automática contra o risco fiscal. Ele acrescenta que, caso prevaleçam dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal, os juros de longo prazo poderão permanecer elevados, limitando a expansão dos múltiplos das empresas listadas e mantendo o custo de capital elevado. Entretanto, as empresas exportadoras e companhias com receitas relevantes em moeda estrangeira poderiam apresentar resiliência relativa.
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