Flávio Bolsonaro não entrega passaportes à PF no prazo determinado por Moraes

Em meio a dúvidas sobre seu paradeiro e o silêncio de aliados, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado na eleição presidencial, não entregou os seus passaportes no prazo determinado pela Polícia Federal (PF). Ontem, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou ao senados que entregasse seus passaportes em 24 horas. Também proibiu que Flávio se comunique com o advogado Willer Tomaz, amigo do senador. Ambos são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro. A ordem abrange passaportes comuns e diplomáticos. A Polícia Federal já cancelou os passaportes do senador, exceto os diplomáticos que são de responsabilidade do Itamaraty. Além disso, a corporação constatou que não há registro formal de saída dele do país. Em vídeo publicado ontem, Flávio disse que cumpriria a ordem e que nunca pensou em deixar o país. Também classificou a decisão como uma tentativa de intimidação. A PF investiga se Flávio Bolsonaro teria deixado o Brasil pela Argentina com o objetivo de ir para os Estados Unidos. A informação de suspeita de fuga foi divulgada pelo site argentino Infobae. Segundo a Bloomberg, no entanto, o secretário de imprensa do presidente da Argentina, Javier Milei, negou que Flávio tenha entrado no país. O Valor apurou que a Direção Nacional de Migrações do governo da Argentina também afirma que não há registro de entrada do senador no país vizinho. Em nota oficial, o órgão informou que a repercussão sobre a presença de uma aeronave privada no Aeroporto Internacional de Iguazú levou as autoridades a realizar verificações no avião e na tripulação. Segundo o comunicado, a documentação da empresa está regular e não foi apresentado nenhum plano de voo que inclua a família Bolsonaro. Investigação A investigação dal qual teve origem a determinação para entrega dos passaportes foi iniciada na justiça do Rio Grande do Sul para tratar de suspeitas de evasão de divisas e apostas virtuais para lavar dinheiro. O caso subiu ao STF após menções a Flávio, que, em razão do cargo de senador, tem direito a foro privilegiado. Na semana passada, Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens de contas e empresas de Tomaz. Também foi determinada a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial do advogado das empresas Alcazar Brasil LTDA, Alcazar Holdings Unipessoal, Alcazar Global Holdings, e Catedral — Holdings SGPS. Na ocasião, foi determinada ainda uma análise sobre a rede de correntistas da empresa Alcazar Holdings, dona da conta que tinha Flávio cadastrado como “usuário master”. A PF disse a Moraes que o perfil de “usuário master” de Flávio deu ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro “elevado nível de acesso” a uma conta do Santander em nome da Alcazar Holdings, administrada por Willer e com sede em Portugal. O acesso à conta foi excluído em maio de 2025.

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