O economista André Lara Resende, um dos arquitetos do Plano Real, apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ideia de reduzir a taxa Selic para 7,5% ao ano durante 12 meses, argumentando que a medida baixaria os juros pagos pelo governo na dívida pública e facilitaria um ajuste fiscal sem cortes de gastos ou aumento de impostos. Integrantes da equipe econômica do governo manifestaram preocupação, afirmando que uma queda de juros percebida como artificial poderia desencadear forte fuga para a moeda estrangeira e saída de posições em títulos públicos. Eles destacam que as reservas internacionais, atualmente em US$ 372,6 bilhões, seriam rapidamente consumidas caso o Banco Central precisasse intervir para conter a fuga de capitais. O volume diário de transações envolvendo dólar e real chega a cerca de US$ 80 bilhões, e a defesa de um teto para o dólar poderia multiplicar posições contrárias ao real. O texto cita o exemplo da China em 2015, que, com US$ 4 trilhões em reservas, gastou US$ 1 trilhão para defender sua moeda sem sucesso. Os economistas ainda alertam que a transição para uma dívida pós‑fixada, representada pelas Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), poderia ser traumática, já que esses papéis são negociados com deságio e poderiam ser rejeitados pelos investidores, como ocorreu em 2002 durante as eleições. Em caso de rejeição, o Tesouro seria forçado a recomprar sua própria dívida para conter a alta dos prêmios exigidos.
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